União Europeia Merkel pede unidade europeia para enfrentar China, Rússia e EUA

Merkel pede unidade europeia para enfrentar China, Rússia e EUA

Em entrevista a um jornal alemão, a chanceler alemã defende que a Europa precisa reposicionar-se num mundo em mudança e garantir a unidade necessária para enfrentar a ameaça e concorrência representada por grandes blocos tais como a China, a Rússia e os Estados Unidos.
Merkel pede unidade europeia para enfrentar China, Rússia e EUA
EPA
David Santiago 16 de maio de 2019 às 11:30

A Europa tem de reposicionar-se no novo xadrez mundial e unir-se para poder enfrentar a China, a Rússia e os Estados Unidos, defende Angela Merkel em entrevista concedida ao jornal alemão Süddeutsche Zeitung e que é também disponibilizada por outras cinco publicações europeias entre as quais o The Guardian e o La Stampa.

A chanceler alemã considera que, perante as ameaças daqueles três rivais globais, – a interferência russa em eleições no mundo ocidental, a prevalência chinesa na economia e o monopólio dos EUA no setor digital – a Europa precisa formar uma frente unida para contrapor ao poderio daqueles blocos.

"A Europa tem de reposicionar-se num mundo que mudou. As certezas passadas da ordem saída do pós-guerra já não se aplicam", atirou a líder conservadora numa alusão ao impacto que a globalização e uma ordem multipolar implicam para a União Europeia.

Nesta nova realidade, China, Rússia e EUA "estão a forçar-nos, uma e outra vez, a encontrarmos posições comuns", sustenta Angela Merkel notando que apesar dos "interesses divergentes" que muitas vezes bloqueiam a capacidade de ação europeia, ainda assim por vezes é possível alcançar a unidade necessária como ficou demonstrado no caso do conflito entre a Ucrânia e Moscovo.

A chanceler identifica o Brexit como o maior momento de viragem dos últimos anos no panorama europeu e sinaliza como o maior desafio deste tempo a criação de condições económicas para combater as alterações climáticas.

Depois de, no ano passado, ter deixado a liderança da CDU e anunciado não pretender recandidatar-se à chancelaria germânica, os democratas-cristãos voltam a enfrentar o desafio colocado pela extrema-direita alemã (AfD), que em 2017 entrou no parlamento alemão pela primeira vez desde 1945.

A ameaça de reforço eleitoral de forças populistas, em especial de extrema-direita, ensombra as eleições europeias e é motivo de "preocupação" para Merkel, que rejeita abrir a porta do PPE a forças extremistas como a Liga de Matteo Salvini.

Na mesma entrevista em que admite discordar do presidente francês Emmanuel Macron em várias matérias relacionadas com o caminho que a União Europeia deve trilhar, Merkel realça a sintonia com o líder gaulês em "questões centrais" como na economia, alterações climáticas ou política de defesa.




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