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Merkel e Sarkozy acertam agenda com prémios na banca sob fogo cerrado

Os montantes dos prémios e dos bónus que continuam a ser pagos no sector financeiro "serão certamente" um tema central da cimeira do G20, "porque é irritante que neste domínio alguns bancos continuem a fazer praticamente o que já faziam", avisa Berlim.

Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 31 de Agosto de 2009 às 09:23
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A chanceler Angela Merkel e o presidente francês Nicolas Sarkozy reúnem-se hoje, em Berlim, para preparar a próxima cimeira do G20, que terá lugar no fim de Setembro, em Pittsburgh, na Pensilvânia.

O encontro entre os dirigentes das vinte maiores economias foi agendado para fazer o balanço do impacto das medidas de estabilização da banca e de combate à retracção económica anunciadas em Abril, na cimeira de Londres, e que parecem estar a retirar lentamente o mundo da mais severa recessão em 60 anos.

Mas Pittsburgh promete ficar marcado por mais um choque frontal com banca, com Paris e Berlim a prometerem chegar de novo ao um encontro do G20 a falar a “uma só voz”, exigindo desta feita ao sector financeiro regras precisas – e razoáveis – sobre os montantes e os critérios usados para calcular os prémios pagos aos seus colaboradores, em especial aos correctores. Este novo passo na “cruzada moralizadora” da banca voltou a ser dado por Nicolas Sarkozy. O presidente francês reuniu-se na semana passada com os banqueiros do País e anunciou que o Governo deixará de trabalhar com instituições financeiras – nacionais ou internacionais – que não sigam uma nova cartilha.

Sarkozy anunciou uma série de medidas de aplicação “imediata”. A mais controversa visa os "traders", ou corretores, que trabalham na Bolsa, que apenas poderão receber bónus uma vez os ganhos que consigam obter se revelem minimamente sustentáveis. Assim, dois terços do montante prometido só será pago após três anos, “o tempo para avaliar a contribuição real do empregado para os resultados da empresa”, considera Sarkozy.

“É imperativo que ponhamos fim aos excessos e aos abusos que não são toleráveis para a opinião pública – o que é legítimo – e que incitam à exposição ao risco”, acrescentou então a sua ministra das Finanças, Christine Lagarde.

Em Fevereiro, os bancos franceses anunciaram uma série de medidas para enquadrar as remunerações variáveis, propondo a limitação a um ano dos bónus garantidos e o pagamento escalonado no tempo dos prémios que passam, portanto, a estar relacionados com a avaliação do desempenho num prazo mais dilatado.

Mas a Imprensa continuou a estar repleta de casos de “cheques” milionários que os bancos justificam pela necessidade de reter ou captar os melhores – sobretudo os que melhor se mexem na Bolsa.

Há duas semanas, o “Le Monde” noticiou que os dez assalariados melhor pagos pelo BNP Paribas receberam 49,9 mil milhões de euros. Isto depois de o banco ter reconhecido, no início deste mês, que provisionou mil milhões de euros para o pagamento de bónus aos seus “traders”. Essa terá sido a “gota d’água” para o Eliseu.

O governo alemão apoiou entretanto as medidas anunciadas por Paris. "Os sistemas de remuneração podem contribuir para elevar os riscos sistémicos que emanam de um banco, e a Alemanha já tomou uma série de medidas para evitar excessos nas remunerações de gestores", afirma-se num comunicado da chancelaria federal. Em entrevista ao canal de televisão N24, Angela Merkel anunciou que a questão dos bónus "será certamente" um tema central da Cimeira do G-20, "porque é irritante que neste domínio alguns bancos continuem a fazer praticamente o que já faziam" no passado, disse a chanceler, citada pela agência Lusa.

O ministro das finanças britânico, Alistair Darling, já admitiu igualmente a possibilidade de legislar para travar o pagamento de bónus excessivos a gestores. O tema deverá aliás dominar a reunião dos responsáveis pelo Tesouro dos países do G-20, que terá na próxima semana, em Londres, e que irá preparar a cimeira de 25 e 25 de Setembro.

Quanto aos EUA, ainda não se pronunciaram sobre a proposta de Sarkozy, mas alguns o sector teme que o presidente Barack Obama apoie os planos franco-alemães. Até porque, do outro lado do Atlântico, têm sido também recorrentes os escândalos relacionados com bancos salvos pelos contribuintes que continuam a pagar bónus milionários a alguns dos seus colaboradores.



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