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Meta de 2% para a inflação pode estar em risco, alerta BCE

O Banco Central Europeu (BCE) já não dá como segura a ancoragem das expectativas de inflação no médio prazo.

Bloomberg
Rui Peres Jorge rpjorge@negocios.pt 02 de Outubro de 2014 às 23:24

Quem acompanha os discursos dos presidentes do BCE ao longo dos anos habituou-se a ouvir que as "expectativas de inflação estão firmemente ancoradas" com o objectivo de inflação de médio prazo, isto é, com uma expectativa de inflação num valor abaixo, mas perto, de 2%. Desde Setembro que assim não é. Portanto, esta é provavelmente a frase em falta mais notória nos discursos de Mario Draghi (na foto) desde que no final de Agosto admitiu riscos para o seu mandato.

Esta quinta-feira, 2 de Outubro, quando anunciou a concretização de dois novos programas de compras de dívida titularizada que poderão acrescentar um bilião de euros ao balanço do BCE nos próximos dois anos, o risco para meta do BCE foi novamente assumido: "Juntamente com as condições de política monetária já adoptadas, a implementação determinada de novas medidas vão sustentar a ancoragem firme das expectativas de inflação de médio e longo prazo em linha com o nosso mandato de manter as taxas de inflação abaixo, mas perto de 2%", afirmou Mario Draghi. Parece um detalhe, mas faz toda a diferença.

O presidente do BCE evidenciou que o facto de as expectativas de inflação terem caído abaixo dos 2% foi determinante para o banco central decidir avançar com a compra de activos, estando mesmo disposto a ir mais longe: "Estas medidas foram determinadas porque as perspectivas de inflação de médio prazo pioraram e os riscos aumentaram", afirmou, sublinhando o que já tinha dito no passado: "nós pensamos que um período demasiado longo de inflação baixa é prejudicial" à economia europeia.

Energia, alimentos e euro já não são desculpa

Para fortalecer o seu argumento sobre a necessidade de o BCE actuar, Draghi defendeu que a queda da inflação na Europa – 0,3% em Setembro – já não se deve essencialmente a evolução dos preços da energia ou dos alimentos, nem à valorização do euro, os dois factores que desde o início do ano vinha evidenciando como estando a puxar para baixo os preços na Europa.

"Observamos uma queda também na inflação subjacente [a que exclui os preços da energia e dos bens alimentares]" afirmou. "O desemprego e a falta de procura estão a gerar uma pressão em baixa sobre os preços para além da energia e da alimentação", continuou, para acrescentar que "quanto mais tempo ficarmos neste ambiente de baixa inflação, mais importante se tornará esta componente cíclica", avaliou.

 

E por isso, "se se mostrar necessário lidar com futuros riscos de um período demasiado longo de inflação baixa, o Conselho de Governadores é unânime no seu compromisso de usar instrumentos não convencionais adicionais dentro do seu mandato", aludindo a um programa de compra de dívida pública, à semelhança do que fizeram o Banco de Inglaterra e a Reserva Federal.

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