Economia Miguel Cadilhe: Portugal "perdeu a oportunidade de fazer um repto construtivo" à Zona Euro

Miguel Cadilhe: Portugal "perdeu a oportunidade de fazer um repto construtivo" à Zona Euro

O economista Miguel Cadilhe defende que "não é desumano pedir a renegociação da dívida" e considera que há dois anos o Governo português devia ter feito "um repto construtivo" à Zona Euro, mas sem seguir o caminho de ruptura como a Grécia.
Miguel Cadilhe: Portugal "perdeu a oportunidade de fazer um repto construtivo" à Zona Euro
Paulo Duarte/Negócios
Sara Ribeiro 08 de julho de 2015 às 14:44

Miguel Cadilhe considera que "não é desumano pedir a renegociação da dívida". Para o ex-ministro das Finanças "desumano é não a pagar", sustentou o economista durante o 6º Congresso Nacional dos Economistas que está a decorrer esta quarta-feira na Fundação Calouste Gulbenkian.

Durante a sua apresentação, Miguel Cadilhe defendeu ainda que "há dois anos o Governo devia ter tido um acto de coragem de dizer à Zona Euro que estávamos a tentar cumprir, mas algo não está bem", disse o economista referindo-se "aos juros que estavam a cobrar" pelo empréstimo.

"O Governo devia fazer um repto português à Europa", frisou Miguel Cadilhe, adiantando que não sabia se teria sido feito nos 'bastidores'. Para o economista, "este acto de dignidade deve ser público".

Enquanto falava sobre o desafio da "renegociação honrada da dívida", o ex-ministro das Finanças aproveitou para dar o exemplo da Grécia que "em vez de seguir o caminho do repto construtivo, seguiu o de ruptura, mas democrática", sublinhou o responsável referindo-se ao referendo que levou os gregos a escolherem se aceitavam, ou não, as propostas dos credores.

"A Grécia surpreendeu-nos a todos", confessou. "Mas nós perdemos a oportunidade de fazer um repto sem ruptura", voltou a sublinhar o economista.

Miguel Cadilhe e mais quatro economistas foram convidados para participar num painel que tinha como objectivo apresentar diferentes modelos sobre os desafios da economia portuguesa no contexto europeu e global.

João César das Neves, João Salgueiro, Joaquim Aguiar e Luciano Amaral foram os restantes convidados que aceitaram o desafio. O aumento da competitividade foi o ponto em comum defendido pelos cinco economistas.  

"Precisamos de responder à falta de competitividade e à falta de capitais", disse Joaquim Aguiar, acrescentando ainda que "em termos de financiamento interno temos que recuperar a capacidade das empresas gerarem lucros".


Já Luciano Amaral frisou que o caso da Grécia mudou o panorama, e que não tem "uma solução na cartola" para a recuperação da economia portuguesa. E, não querendo parecer da "brigada do pessimismo", acredita que " é um processo longo".




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