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Ministro das Finanças britânico demite-se após recusar obedecer a Boris. Já há sucessor

Sajid Javid demitiu-se de ministro das Finanças depois de ter recusado afastar os seus assessores em troca de elementos escolhidos pelo primeiro-ministro. Javid junta-se a uma longa lista de "baixas" da governação de Boris Johnson. Demissão surge a um mês da apresentação do orçamento.

Reuters
David Santiago dsantiago@negocios.pt 13 de Fevereiro de 2020 às 12:12
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A remodelação governamental em curso no Reino Unido vai contar com um interviniente inesperado, já que o até aqui ministro das Finanças, Sajid Javid, apresentou a demissão do executivo britânico depois de ter recusado obedecer às exigências feitas pelo primeiro-ministro, Boris Johnson. Rishi Sunak já foi apontado como o novo responsável pelas Finanças. 

A BBC dá conta de que Javid decidiu demitir-se devido às exigências feitas por Boris Johnson para que afastasse os seus assessores mais próximos a fim de serem nomeados novos elementos, que seriam escolhidos por Downing Street. Em declarações à Press Association, o porta-voz do agora ex-ministro defendeu que nenhum governante "com carácter" aceitaria tais termos. Javid considerou que Johnson estava a tentar exercer um controlo exagerado sobre o seu próprio gabinete.

Recorde-se que no ano passado um dos assessores de Javid havia sido demitido pelo chefe de gabinete do primeiro-ministro sem que o então ministro das Finanças fosse consultado sobre a decisão. 

Depois de ambos se terem defrontado nas eleições internas do Partido Conservador no verão passado, Sajid Javid acabou por ser integrado no executivo escolhido por Boris Johnson, o qual, nos últimos meses, teceu rasgados elogios à atuação do seu titular das Finanças.

Esta demissão surge num momento particularmente delicado, já que a apresentação do orçamento britânico para este ano está prevista para 11 de março e também porque acontece em plena remodelação do governo, sendo que a saída de Javid era totalmente inesperada, tanto para a comunicação social como para Downing Street.

Ainda esta quarta-feira, numa antecipação das possíveis trocas de lugares no âmbito da remodelação governamental, o The Guardian escrevia que o posto de Sajid Javid estava "seguro", desde logo pela necessidade de apresentar o orçamento de 2020 dentro de um mês. 

Quem é Rishi Sunak?

Escassos minutos depois de ser conhecida a notícia da demissão de Javid, já Downing Street avançava, através do Twitter, o nome do seu sucessor bem como os nomes que ficam e os que entram no "governo 2.0" de Boris Johnson.

O escolhido para as Finanças foi Rishi Sunak (39 anos de idade), secretário principal do Tesouro britânico desde o verão passado na sequência da chegada ao governo de Boris Johnson, um cargo que não é eminentemente político, pelo que não pode considerar-se que integrasse a equipa liderada por Javid.  
Com uma licenciatura Filosofia, Política e Economia em Oxford, Sunak tirou um MBA na Universidade de Stanford, onde depois lecionou. Passou também pelo mundo da finança, tendo sido analista do Goldman Sachs antes de integrar o hedge fund The Children's Investment Fund Managment.

Deputado eleito por Richmond, Yorkshire, está na Câmara dos Comuns desde 2015, onde acompanhou sobretudo as áreas da habitação e administração local. 

Ao contrário de Javi, defensor da permanência na União Europeia na campanha para a consulta popular de 2016, Sunak fez campanha pela saída do bloco europeu. A imprensa britânica nota ainda que o novo ministro das Finanças votou a favor dos três acordos de saída que a ex-primeira-ministra, Theresa May, levou ao parlamento, todos chumbados, contrariando a opção de muitos "leavers" dos "tories". Mais recentemente foi apoiante de Boris Johnson na eleição interna de julho do ano passado.

(Notícia atualizada)
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