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Ministro alemão do Interior critica Merkel pela gestão da crise dos refugiados

Thomas de Maizière criticou a chanceler alemã pela política que Berlim tem seguido em relação aos refugiados e defendeu ser necessário colocar barreiras à imigração para o país. Entretanto, o Governo alemão aumentou o financiamento aos governos federais para lidarem com a chegada massiva de refugiados.

Bloomberg
David Santiago dsantiago@negocios.pt 25 de Setembro de 2015 às 14:28
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Os elogios à forma como Angela Merkel tem gerido as crises migratória e dos refugiados não têm completa correspondência no seio do Executivo germânico. O ministro alemão do Interior, Thomas de Maizière, um elemento considerado próximo de Merkel também na CDU, lamentou o "caos" que se verifica na Alemanha devido à chegada massiva de refugiados ao país.

 

"O caos surgiu depois de a Alemanha trazer todas as pessoas que estavam na Hungria", defendeu Maizière numa entrevista concedida, na passada quinta-feira, à estação televisiva ZDF e citada pelo El País. "A quantidade de gente era tão grande que não foi possível reagir ordenadamente", reconheceu o governante conservador que garante que "agora estamos na fase de restabelecimento da ordem".

 

No entanto, "ninguém contava com a afluência massiva de refugiados que se verificou", admitiu Maizière que defendeu ser necessário "trabalhar para termos uma fronteira de facto para [controlar] a imigração". O responsável pela administração interna germânica parece considerar que as medidas de controlo fronteiriço, introduzidas na Alemanha de forma a conter o afluxo de migrantes que chegavam de forma crescente ao país, não são ainda suficientes. Como tal, sustenta ser crucial a adopção de novas medidas, "caso contrário não conseguiremos controlar a chegada de refugiados".

 

As palavras do ministro Thomas de Maizière foram proferidas depois de ao início da manhã desta quinta-feira, a chanceler alemã ter discursado, no Bundestag, para defender a política de asilo seguida pela Alemanha e para avisar que a resposta dada pela Europa está ainda longe de ser suficiente para resolver o problema. Segundo o El País, Merkel chegou mesmo a elogiar o trabalho até agora desenvolvido por Maizière à frente do ministério alemão do Interior.

 

Há uma semana o secretário de Estado das Finanças, Jens Spahn, já criticara o entusiasmo demonstrado por vários elementos do Governo em relação à chegada de refugiados ao país, alertando para o facto de muitos cidadãos anónimos não ocultarem a sua preocupação face à chegada de refugiados.

 

Entretanto, esta sexta-feira, 25 de Setembro, Berlim decidiu aumentar para 4 mil milhões de euros o financiamento concedido aos estados federados para que os governos regionais possam lidar de forma adequada com os níveis recorde de migrantes. O Executivo liderado por Merkel comprometeu-se ainda a pagar 670 euros por mês a cada requerente de asilo registado em território germânico.

 

Depois de conversar com os líderes dos 16 estados federados germânicos, Angela Merkel anunciou também que Berlim passará a considerar como "países de origem seguros" a Albânia, o Kosovo e o Montenegro, uma medida que visa dissuadir os migrantes provenientes destes países de requerer asilo na Alemanha.

Ao movimento de restabelecimento de regras de controlo das fronteiras nos países da Europa Central e de Leste, a Alemanha respondeu também com a introdução de controlo fronteiriço de forma a tentar controlar o volume de migrantes oriundos da rota dos Balcâs que, muitas vezes, têm como objectivo primordial chegar a território germânico.

Esta semana, os Estados-membros da União Europeia aprovaram por maioria (logo sem unanimidade) a distribuição de cerca de 120 mil refugiados que permanecem em campos de acolhimento na Itália, Grécia e Hungria. Além disso, os líderes europeus aprovaram o reforço em mil milhões de euros do financiamento de organizações que, no terreno, estejam a apoiar os movimentos migratórios dos refugiados. Merkel considera que estas medidas não são suficientes e Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, garante que a maior onde de migrantes "está ainda por chegar". 

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