Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Modo como Europa lidou com Chipre pode prejudicar “ratings” de todos os países do euro

As últimas decisões tomadas pelos decisores políticos na Zona Euro aumentam "o risco de saídas de depósitos, de fugas de capital, de maiores custos de financiamento soberano e da banca", na opinião da Moody's.

Bloomberg
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 25 de Março de 2013 às 08:52
  • Partilhar artigo
  • 1
  • ...

As recentes decisões das autoridades políticas europeias têm implicações negativas para a notação financeira de todos os países da Zona Euro, considera a agência de “rating” Moody’s.

 

“Mesmo que as negociações sejam bem-sucedidas e o Chipre permaneça dentro da Zona Euro, as recentes decisões das autoridades políticas aumentam o risco de saídas de depósitos, de fugas de capital, de maiores custos de financiamento soberano e da banca e uma maior perturbação do mercado financeiro ao longo da Zona Euro no futuro, mesmo que todas as decisões não acabem com a calma dos mercados financeiros no presente”, comenta a Moody’s no seu “Credit Outlook”, presente no site da agência.

 

O relatório, datado de hoje, faz referência às negociações de domingo mas não é claro se foi escrito já depois de o Eurogrupo ter chegado a um entendimento para o resgate. As autoridades da Zona Euro acordaram isentar os detentores de depósitos inferiores a 100 mil euros nos bancos cipriotas, colocando o encargo com a capitalização das duas principais instituições financeiras nos investidores que detêm depósitos mais altos, além dos accionistas e obrigacionistas.

 

A entidade norte-americana, que avalia a capacidade de empresas e países pagarem as suas obrigações financeiras, sublinha que a forma como as autoridades políticas da Zona Euro lidaram, até aqui, com a crise do Chipre é “negativa para o crédito soberano da Zona Euro”. A somar a isto, também contribuem para esse maior risco a “crescente tolerância com o risco associado às acções” dos políticos e a “incerteza de uma abordagem mais descomprometida e menos previsível na gestão da crise”.

 

Para o analista da Moody’s Matt Robinson, que assina o comunicado, a “posição mais vigorosa” das autoridades europeias na negociação do resgate – que se prolongou por mais de uma semana – e a “aparente disposição para tolerar resultados de mais elevada gravidade” aumentam a probabilidade de ocorreram outros acontecimentos negativos para o crédito soberano dos países da Zona Euro.

 

A Moody’s atribui uma classificação de risco de “Caa3” ao Chipre, tendo sido reduzido a 10 de Janeiro de 2013 em três níveis. As obrigações classificadas com este nível são consideradas especulativas e com um elevado risco de crédito.

Ver comentários
Saber mais Chipre Moody's Zona Euro rating notação financeira Europa
Outras Notícias