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Moody’s coloca Alemanha, Luxemburgo e Holanda sob perspectiva negativa (act.)

A agência de notação financeira diz que risco de saída da Grécia da Zona Euro é agora maior. Entre os "ratings" soberanos de escalão máximo, 'Aaa', considera que só a Finlândia está "relativamente" protegida da crise do euro.

Carla Pedro cpedro@negocios.pt 23 de Julho de 2012 às 22:44
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A Moody’s colocou sob perspectiva negativa os “ratings” soberanos de longo prazo da Alemanha, do Luxemburgo e da Holanda.

Estes três países contam-se entre os quatro que ainda têm notação máxima – o triplo A – na Zona Euro e que tinham perspectiva estável. O único a quem a agência manteve o “outlook” estável foi à Finlândia, considerando que é o que está “relativamente” mais protegido.

Sublinhe-se que a Moody’s tem atribuída uma classificação de triplo A a mais dois países do euro, a França e a Áustria, mas já tinha cortado em Fevereiro a perspectiva de ambos para negativa.

A agência adverte que estes quatro países são adversamente afectados sobretudo por dois desenvolvimentos na Zona Euro.

O primeiro deles prende-se com a crescente incerteza em relação ao quadro de medidas políticas e a crescente susceptibilidade ao risco decorrente da probabilidade de a Grécia sair da Zona Euro, incluindo um maior impacto que isso teria sobre Espanha e Itália.

O segundo tem a ver com o facto de haver, mesmo conseguindo-se evitar a saída da Grécia, uma crescente probabilidade de ser necessário um maior apoio colectivo a outros países da Zona Euro, muito especialmente Espanha e Itália. “Atendendo à maior capacidade que têm de absorver os custos associados a esse apoio, o encargo deverá recair mais pesadamente sobre os Estados-membros da Zona Euro com ‘ratings’ mais elevados, isto se a Zona Euro quiser ser preservada no seu actual formato”, sublinha o relatório da Moody’s.

Estes crescentes riscos, em conjugação com considerações específicas de cada país, levaram a estas alterações nos “outlooks” da Alemanha, Holanda e Luxemburgo, explica a agência. “Em contraste, o singular perfil de crédito da Finlândia permanece consistente com perspectivas estáveis”, acrescenta o documento.

Fundamentos para a mudança de perspectiva

A agência refere, mais em pormenor, que a decisão de hoje é motivada pelo facto de considerar que o nível de incerteza quanto ao panorama para a Zona Euro, de par com o potencial impacto sobre os Estados-membros, já não são consistentes com ‘outlooks’ estáveis.

“Se bem que não seja o cenário de base da Moody’s, o risco de uma saída da Grécia da Zona Euro aumentou face às expectativas que tínhamos em inícios do ano. No entender da Moody’s, uma saída da Grécia da união monetária colocaria uma ameaça concreta ao euro. Apesar de a Moody’s contar com uma forte resposta política por parte da Zona Euro, caso isso aconteça, de qualquer das formas a situação desencadeará uma série de choques no sector financeiro e pressões de liquidez sobre os países e os bancos que as autoridades só conseguirão conter em troca de um elevado custo”, diz o relatório.

Por outro lado, mesmo que a Grécia não saia, os encargos assumidos pelos Estados-membros mais fortes da Zona Euro estão a ficar maiores, “em resultado da continuada resposta reactiva e gradual por parte dos responsáveis políticos. (…) A Moody’s considera que esta abordagem não produz uma perspectiva estável e poderá muito provavelmente estar associada a uma série de choques, que poderão ganhar força com a persistência da crise”.

“A contínua deterioração do panorama macroeconómico e de financiamento de Espanha e de Itália aumentaram o risco de poderem vir a precisar de algum tipo de ajuda externa. A escala dos passivos contingentes é de uma maior magnitude nestes dois países, devido à sua dimensão e aos seus encargos da dívida; a título de exemplo, a dimensão da economia espanhola e do seu mercado da dívida soberana corresponde a cerca do dobro da dimensão conjunta dos da Grécia, Portugal e Irlanda”, prossegue a Moody’s no seu relatório de 14 páginas.

O caso da Alemanha

Relativamente à Alemanha em particular, a Moody’s diz que os principais motivadores da decisão de hoje se prendem com a crescente incerteza em torno do desfecho da crise do euro e com os maiores passivos contingentes que o Governo alemão terá de assumir em resultado da resposta que tem estado a ser dada a nível europeu.

Além disso, há um terceiro motivador: a vulnerabilidade do sistema bancário alemão perante o risco de uma deterioração da crise da Zona Euro. Isto porque a significativa exposição dos bancos alemães aos países do euro que estão em maiores dificuldades – particularmente a Itália e Espanha –, de par com a sua limitada capacidade de absorção de perdas e com os seus lucros estruturalmente fracos, os tornam vulneráveis perante qualquer agravamento da crise, sublinha o relatório da agência de notação.

Além de ter “mexido” na perspectiva que tem para a Alemanha, a Moodys’ tomou a mesma decisão para o FMS Wertmanagement, cujo ‘outlook’ passa assim de estável para negativo.

O FMS Wertmanagement é um ‘bad bank’ criado para receber os activos tóxicos do banco alemão Hypo Real Estate, nacionalizado em 2009. As perdas assumidas por este ‘bad bank’, que foi criado no âmbito da legislação alemã de Estabilização do Mercado Financeiro, são inteiramente financiadas pelo governo alemão.

Outlook e credit watch

Recorde-se que, além dos ratings atribuídos em determinado momento, as agências dão também uma indicação sobre a direcção que essas notações poderão vir a ter no futuro. Quando a agência prevê que um rating pode ser alterado nos 6 a 24 meses seguintes, emite um outlook (perspectiva). Se considera que pode haver acontecimentos ou circunstâncias susceptíveis de mexerem com a classificação no curto prazo – normalmente no período de 90 dias – então pode colocar o rating em credit watch (sob revisão).

O outlook (perspectiva) pode ser positivo, negativo, estável ou em evolução. No primeiro caso, a agência está a indicar que o rating poderá subir. Se, pelo contrário, o outlook for negativo, significa que a notação poderá descer. Uma perspectiva estável revela que há fortes probabilidades de a notação se manter no actual nível quando a sua revisão for divulgada. Quando a perspectiva está em evolução, significa que a classificação tanto pode subir como descer.

Por outro lado, quando uma empresa, entidade local ou Estado fica em credit watch, é também salientada a possibilidade de alteração da notação, mas no curto prazo. Porém, o facto de se estar em credit watch não significa que tenha de haver uma alteração do rating. Finda a avaliação, a agência pode decidir manter a classificação.

Apesar de normalmente se generalizar o termo credit watch para indicar que a qualidade do crédito está sob revisão, sublinhe-se que a terminologia varia consoante as três grandes agências: credit watch (S&P), under review (Moody’s) e Rating Watch (Fitch).

O credit watch pode ser positivo (significa que o rating tem probabilidade de subir), negativo (pode descer) ou em evolução (pode subir, descer ou ser reafirmado, isto é, manter-se igual).


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