Banca & Finanças Movimento Cinco Estrelas apela a Bruxelas para aprovar resgates da banca italiana sem perdas

Movimento Cinco Estrelas apela a Bruxelas para aprovar resgates da banca italiana sem perdas

O líder do Movimento Cinco Estrelas considera que Bruxelas deve aprovar os planos de resgate da banca italiana sem que sejam aplicadas perdas aos investidores. E realça que é o "futuro económico" da Europa que está em causa.
Movimento Cinco Estrelas apela a Bruxelas para aprovar resgates da banca italiana sem perdas
Sara Antunes 21 de julho de 2016 às 13:40

Luigi di Maio, líder do Movimento Cinco Estrelas, que está a surgir em Itália como o principal rival do actual primeiro-ministro Matteo Renzi, defende que os investidores privados não devem assumir perdas com o resgate da banca.

 

Actualmente, as regras europeias definem que se houver injecção de dinheiro nos bancos por parte do Estado, os obrigacionistas têm de assumir perdas. Luigi di Maio defende que isto não deve acontecer, de acordo com o Financial Times.

 

"Não pode ser feito um ‘bail-in’. Seria a machadada final" para as famílias, defendeu o responsável político. "Quero dizer aos que estão a liderar as negociações que não é apenas o futuro político de Matteo Renzi que está em causa, é também o futuro económico da União Europeia", sublinhou o Maio.

 

O responsável, que tem vindo a subir nas intenções de voto estando muito perto de Renzi, diz que se os investidores privados, em particular os depositantes e os detentores de dívida júnior, assumirem perdas pode haver problemas porque, neste contexto, "os cidadãos podem pagar por erros que eles não cometeram."

 

Mas não são apenas os investidores privados que devem ser poupados na óptica de Maio. O responsável defende que as instituições, como os fundos, devem ser poupados, caso contrário poderá observar-se "um problema ainda maior em termos de investimento estrangeiro, bem como haver uma fuga de investimento italiano."

 

Estes argumentos apresentados por Maio não são novos e ganharam algum apoio depois de o Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) ter emitido uma decisão onde defende que os accionistas e credores dos bancos não podem estar automaticamente obrigados a perdas nos seus investimentos em caso de um resgate. O tribunal impõe condições para que haja uma decisão unilateral por parte dos governos.

 

Os problemas na banca italiana estão a aumentar o nervosismo entre governantes, investidores e consumidores. As autoridades italianas estão a tentar encontrar uma solução para resolver o problema do crédito malparado na banca, que ronda os 250 mil milhões de euros. Cerca de 85 mil milhões estão nas mãos de apenas quatro bancos, entre eles o Monte dei Paschi, que já foi avisado pela autoridade monetária da Zona Euro de que deverá reduzir o crédito malparado de 24,2 mil milhões de euros para 14 mil milhões nos próximos quatro anos.

Ainda na terça-feira, 19 de Julho, o Fundo Monetário Internacional (FMI) publicou a actualização das previsões para a economia mundial, onde reviu em baixa a estimativa de crescimento. E deixou alguns alertas, entre eles, o facto da banca italiana, e portuguesa, estar entre as principais fragilidades da economia mundial.




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