Economia Mulheres passaram a reagir com desagrado ao assédio sexual no trabalho

Mulheres passaram a reagir com desagrado ao assédio sexual no trabalho

Os chefes passaram a ser os principais responsáveis pelo assédio sexual. Em 1989, a maioria das mulheres portuguesas fingia que não tinha reparado. Agora, a maioria reage com desagrado.
Mulheres passaram a reagir com desagrado ao assédio sexual no trabalho
Miguel Baltazar/Negócios
Negócios 09 de março de 2016 às 08:52

Em 1989, quase metade das mulheres portuguesas vítimas de assédio sexual faziam de conta que não tinham notado. Mas, nos últimos vinte e seis anos, a reacção mudou muito: um inquérito realizado no ano passado revela que a maioria reage mal a estas situações, mostrando imediatamente desagrado (52%), exigindo que a situação não se repita (30,7%) ou mostrando-se ofendida (27,4%) de acordo com um estudo promovido pela Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego, que será apresentado esta quarta-feira, 9 de Março, em Lisboa.

As conclusões do estudo, citadas pelo jornal Público, mostram que os superiores hierárquicos ou as chefias directas são agora os principais responsáveis por situações de assédio sexual pelas mulheres (44,7%), o que também representa uma alteração face à situação vivida em 1989, altura em que os colegas eram os principais responsáveis por esta situação (57%). Cresceu, no entanto, a proporção de mulheres que se dizem assediadas pelos clientes, fornecedores, ou utentes, de 11% para 25%.

A boa notícia é que baixou a percentagem de mulheres que se diz alvo de assédio sexual, de 34% há vinte e seis anos para 14,4% no ano passado. Ainda assim, acima da percentagem de homens (8,6%) que diz ter sido vítima de assédio sexual. E bem acima dos 2% que são relatados, em média, nos países europeus.

O trabalho que será apresentado esta quarta-feira também analisa as questões relacionadas com o assédio moral.

"A maioria das mulheres e homens alvo de assédio, moral e sexual, possui um vínculo laboral marcado pela precariedade e pela instabilidade", revela ao jornal a coordenadora do estudo, Anália Torres.

 

 




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