Impostos Multinacionais pagam menos impostos do que há dez anos

Multinacionais pagam menos impostos do que há dez anos

Uma análise do Financial Times mostra que, apesar dos esforços dos governos para combater a evasão fiscal, a taxa efectiva de imposto paga pelas empresas desceu 9% nos últimos dez anos.
Multinacionais pagam menos impostos do que há dez anos
Bloomberg
Negócios 12 de março de 2018 às 11:15

As grandes multinacionais pagam menos impostos actualmente do que pagavam antes da crise financeira de 2008, mostra uma análise divulgada esta segunda-feira, 12 de Março, pelo Financial Times.

Apesar dos esforços dos governos para combater a evasão fiscal, a taxa efectiva de imposto paga pelas empresas desceu 9% nos últimos dez anos.

O FT, que analisou os impostos pagos pelas dez maiores empresas públicas do mundo em termos de capitalização de mercado, em cada um dos grandes nove sectores, conclui que o corte da taxa de imposto sobre as empresas por parte dos governos só explica metade desta descida, sugerindo que as empresas ainda estão a contornar os esforços para apertar a cobrança de impostos sobre as sociedades.

"Houve muita acção e medidas que são muito visíveis, mas a realidade é diferente. Os cortes nas taxas e as isenções fiscais para a propriedade intelectual foram as forças dominantes no imposto sobre as empresas - e isso reflecte a dinâmica contínua da concorrência ao nível fiscal", afirma Mihir Desai, professor de Finanças e Direito da Universidade de Harvard.

Desde a crise financeira, a média das taxas efectivas de imposto reportadas caiu cerca de 13% para as maiores empresas industriais e de tecnologia, de acordo com a pesquisa do FT, enquanto nos sectores da saúde, bens de consumo e materiais ficaram praticamente inalteradas.

Os resultados mostram, assim, que nos países da OCDE, os impostos sobre as empresas continuaram a cair, à medida que os impostos sobre o consumo e sobre os rendimentos dos trabalhadores aumentaram.

Desde 2008, os países reduziram os impostos sobre as empresas em 5%, enquanto os governos aumentaram em média as taxas de imposto sobre os rendimentos em 6%, segundo dados da KPMG.




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mais votado Anónimo 12.03.2018

Claro, dos EUA ao Reino Unido, desde 2014/2015 que o número de funcionários do universo do Estado não se afasta dos mínimos históricos que já não se viam desde a década de 1960 no primeiro caso, e desde a Segunda Guerra Mundial no segundo. Assim se explica a riqueza e a pobreza das nações. https://blogs.wsj.com/economics/2014/11/07/the-federal-government-now-employs-the-fewest-people-since-1966/ https://www.thetimes.co.uk/article/job-cuts-to-shrink-civil-service-to-1940s-size-5blwv2z6qmd

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pertinaz 12.03.2018

O PROBLEMA ESTÁ NOS PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA

PAÍSES ONDE O FISCO É PREGUIÇOSO (CASO PORTUGUÊS EM QUE SÃO FORTES COM OS FRACOS)

Anónimo 12.03.2018

Ainda bem para eles. Em Portugal isso é impossível. Primeiro porque não há multinacionais, segundo porque o anarco-sindicalismo seca tudo.

Anónimo 12.03.2018

As multinacionais pagam menos impostos em percentagem do que antes da crise de 2008, mas pagam mais em valor absoluto porque são mais e criam muito mais valor do que anteriormente. Além disso, do lado da despesa pública, o dinheiro dos impostos tende, no mundo desenvolvido, o mundo que se orienta pelas condições de mercado e faz reformas acertadas ao sabor dos tempos, a ser muito melhor aplicado do que anteriormente.

Anónimo 12.03.2018

As cidades dos EUA que faliram concederam aos sindicatos de várias classes profissionais do município o equivalente ao que as regras laborais no país da constituição do PREC oferece como direito adquirido a toda e gente. Por isso acabaram por falir como só os tolinhos sabem fazer e defendem. Mas depois, e há sempre um antes e um depois, cortaram forte nos privilégios irrealistas que antes tinham tido a audácia de má memória de conceder. Da polícia aos bombeiros passando pelos serviços administrativos da câmara municipal, ninguém ficou sem corte de salário, bónus e pensões de reforma e os despedimentos também andaram na ordem do dia que os colaboradores eram mais do que aquilo que a procura e a tecnologia existente podiam justificar. Outras cidades, antes mesmo de falirem, perderam a tolice e começaram a ganhar juizinho seguindo o exemplo da reestruturação de Detroit ou Vallejo (cortes nas generosas pensões e nos efectivos em excesso). Os bancos também atinaram e deixaram de colaborar.

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