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Mundial 2022: Trabalhadores estrangeiros no Qatar não receberam salários durante um ano

Trabalhadores originários da Índia, Nepal ou Sri Lanka não receberam salários durante mais de um ano num projecto do comité organizador do mundial de futebol de 2022. Casos multiplicam-se e deverão aumentar com a chegada de centenas de milhares de trabalhadores asiáticos ao país.

André Cabrita-Mendes andremendes@negocios.pt 28 de Julho de 2014 às 17:51
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Os escritórios que vão albergar a organização do mundial de futebol em 2022 no Qatar custaram 3,1 milhões de euros. Os dois pisos no edifício de escritórios Football Tower em Doha, capital do país, contêm alguns pormenores de luxo como mobília italiana feita à mão.

 

Mas apesar do dinheiro proveniente do petróleo e do gás natural inundar os cofres públicos do emirado do Golfo Pérsico, existem trabalhadores no país que não recebem salários. Há mais de um ano.

 

Esta segunda-feira, 28 de Julho, o jornal inglês The Guardian revelou que alguns dos trabalhadores migrantes envolvidos na construção destes escritórios não receberam salários durante 13 meses neste projecto adjudicado à empresa Lee Trading and Contracting e que foi directamente supervisionado pelo Governo do Qatar.

 

Apesar dos trabalhadores terem-se queixado há vários meses às autoridades qataris, os salários, a rondar as seis libras por dia (7,6 euros), não foram repostos.

 

Escolhido pela Fifa para organizar o campeonato mundial de futebol em 2022, o país do Golfo Pérsico tem atraído críticas em todo o mundo pela exploração dos trabalhadores migrantes. O orçamento total do evento está estimado em 4 mil milhões de libras (5 mil milhões de euros).

 

"Não sabemos quantos é que eles vão gastar no campeonato do mundo, mas nós precisamos do nosso salário", disse um dos trabalhadores ao The Guardian. "Nós trabalhámos, mas não recebemos o salário. Ao Governo, à empresa: devolvam-nos o dinheiro", apelou.

 

As condições em que os trabalhadores vivem são deploráveis, como revela o jornal, com sete migrantes a dormir por habitação, infestada de baratas, em colchões finos e sujos no chão e em beliches. 

 

"Não ganhei nenhum dinheiro", disse outro trabalhador, originário do Nepal. "Se tivesse dinheiro comprava um bilhete e regressava a casa".

 

Cinco destes trabalhadores foram presos por trabalhar ilegalmente depois da Lee Trading and Contracting ter entrado em falência deixando-os sem papéis de identificação.

 

Além dos salários em atraso, este é outro dos problemas para os expatriados. No Qatar vigora o sistema Kafala, que impede os trabalhadores migrantes de mudar de empregador ou deixar o país sem consentimento. 

 

O comité organizador do campeonato do mundo disse estar "fortemente desanimado com o comportamento da Lee Trading em relação ao pagamento atempado dos seus trabalhadores". A organização afirma "desaprovar fortemente" esta actuação e diz que vai "continuar a pressionar para uma conclusão rápida e justa em todos os casos".


Com o arranque da construção das infra-estruturas para o mundial de futebol, deverão chegar centenas de milhares de trabalhadores ao Qatar ao longo deste ano. Originários de alguns dos países mais pobres do mundo, são atraídos pela oportunidade de receber salários que não chegam aos 200 euros por mês.

  

Mas o não pagamento a trabalhadores migrantes não se resume somente a este caso. O The Guardian também descobriu várias dezenas de trabalhadores da construção civil que não receberam os seus salários e que vivem igualmente em condições deploráveis.

 

As más condições laborais dos operários da Índia, Nepal e Sri Lanka, levou a que, em 2012 e 2013, 70 trabalhadores tenham morrido no local de trabalho, 144 em acidentes de viação e 56 cometeram suícidio.

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