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Mundo vai ter dívida superior ao PIB pela primeira vez na história

Os gastos dos governos para combater os efeitos da pandemia vão levar a dívida pública mundial pela primeira vez a superar o valor do PIB.

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Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 24 de Junho de 2020 às 16:03
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Além de provocar uma recessão sem precedentes na economia mundial, a pandemia vai deixar o mundo com o nível de endividamento mais elevado de sempre e pela primeira vez acima do PIB gerado num ano.

 

Segundo as estimativas publicadas hoje pelo Fundo Monetário Internacional na atualização do Fiscal Monitor, o cenário base da instituição sediada em Washington aponta para que a dívida pública atinja um máximo histórico de 101,5% do PIB este ano e um novo recorde de 103,5% do PIB em 2021.

 

Trata-se de um aumento de quase 20 pontos percentuais face a 2019 (82,8% do PIB) e bem acima do projetado pelo FMI em abril, que apontava para rácios abaixo de 100%.

 

O efeito da pandemia da covid-19 está a ser "mais severo do que o estimado", obrigando "muitos governos a acelerar as medidas de emergência para proteger as pessoas, preservar empregos e prevenir falências", escreve o FMI, destacando os elevados valores que os países estão a alocar no combate aos efeitos da pandemia.

 

Os cálculos do FMI apontam para que as medidas já anunciadas em todo o mundo tenham uma magnitude de 11 biliões de dólares, bem mais do que os 8 biliões de dólares estimados em abril.

 

Cerca de metade deste valor corresponde a despesa pública e receitas perdidas, o que afeta diretamente os orçamentos dos países. A outra metade diz respeito a medidas de liquidez, como empréstimos, garantias e injeções de capital, que no fim da linha podem também penalizar as contas públicas caso as empresas não devolvam estes apoios.



Défice com dois dígitos

 

O FMI estima por isso também um considerável agravamento nos défices orçamentais dos países, face ao que estava previsto em abril.

 

O défice orçamental global deverá corresponder a 13,9% do PIB este ano e 8,2% em 2021, o que compara com os 4% do ano passado.

 

Como as economias avançadas são as que têm a maior capacidade para responder à crise, neste grupo o défice será maior. Segundo o FMI, o desequilibro das contas públicas nestas economias chegará a um valor médio de 16,5% do PIB este ano, o que se situa 13 pontos percentuais acima do registado em 2019. Já a dívida pública chegará a um valor médio equivalente a 130% do PIB.

 

Os países do G-20, de acordo com o FMI, vão gastar em média cerca de 6% do PIB nas medidas de combate à pandemia.

 

As estimativas apontam para que na Zona Euro a dívida pública suba para 105,1% do PIB este ano (84,1% em 2019), com o défice a disparar para 11,7% (0,6% em 2019).

 

Nas maiores economias só a Alemanha manterá um rácio da dívida pública abaixo de 100% do PIB (subirá de 59,8% em 2019 para 77,2% este ano). Em Espanha subirá para 123,8%, na França para 125,7% e em Itália vai disparar para 166,1%.

 

No que diz respeito aos défices, terão dois dígitos em todos os países. Espanha com 13,9%, Itália com 12,7%, França com 13,6% e Alemanha com 10,7%.



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