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Münchau: Incumprimento da Grécia vai pôr Portugal no centro das atenções

O colunista do Financial Times constata que a Grécia está mais próxima do incumprimento da dívida e até de sair do euro, o que levará as atenções dos investidores a "cair imediatamente" sobre Portugal.

Hugo Paula hugopaula@negocios.pt 16 de Janeiro de 2012 às 12:31
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Para o especialista da publicação britânica nos assuntos europeus, o colapso das negociações com vista à redução do valor da dívida grega tornou mais provável que o país incumpra a quase totalidade da sua dívida. Um evento que até poderá levar o país a abandonar a Zona Euro e “quando isso acontecer”, prevê Wolfgang Münchau, “as atenções dos investidores vão cair imediatamente sobre Portugal”, acrescenta.

O final da semana passada foi marcado pela descida do “rating” de França e Áustria, bem como pelo colapso das negociações gregas com vista à redução do valor da sua dívida.

Ainda assim, “não devemos fingir surpresa”: A decisão da Standard & Poor’s para França fora já amplamente antecipada e a proposta de redução do valor da dívida grega era “irrealista”.

Além disso, argumenta Münchau, os acontecimentos de sexta-feira consistem num guião do que vai acontecer ao longo do ano na Europa. A recessão que já se está a decorrer na Europa vai provocar uma deterioração das perspectivas económicas e mais descidas das classificações de crédito.

Eventual descida do "rating" do FEEF penalizará capacidade de financiamento

Estas irão estender-se ao Fundo Europeu de Estabilidade Financeira, porque o fundo de resgate da Zona Euro “pediu emprestadas” as classificações da dívida dos países da região e “a forma como foi construído significa que a sua capacidade efectiva de crédito vai ser reduzida”.

“Mesmo apesar de a descida do ‘rating’ de França ter sido antecipada, os membros da Zona Euro não têm plano B para isto, à excepção de alguns cenários de emergência”, explica.

Para o editor do Financial Times, o problema está na visão que os líderes europeus têm para a Europa. Depois do colapso das negociações gregas e da descida do “rating” de França, Angela Merkel relembrou a importância de serem implementadas as alterações aos tratados europeus para reforçar a integração orçamental.

A resposta às notícias “é um lembrete de como a crise e a sua resolução estão a acontecer em universos paralelos”, diz Münchau. “Independentemente do que acontece, a resposta é disciplina orçamental”, salienta.

Descida de França e Áustria cria divisão política na Europa

As descidas de “rating” provocam vêm reforçar o problema da divisão política entre os responsáveis europeus, refere na sua coluna de opinião Wofgang Münchau. “Uma descida de todos os países com classificação de ‘AAA’ teria sido muito mais fácil de gerir politicamente”, diz.

“A decisão” da Standard & Poor’s torna muito mais difícil, para a Alemanha, “aceitar as obrigações de dívida conjunta europeia” (“eurobonds”), salientou.
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