Eleições Não havia tantos votos nulos desde a primeira eleição de Cavaco

Não havia tantos votos nulos desde a primeira eleição de Cavaco

Os chamados votos de protesto voltaram a proliferar nas urnas nestas legislativas. Houve mais gente a anular o boletim do que a votar no Chega, Iniciativa Liberal ou Livre; enquanto os brancos só "perdem" para as eleições de 2011, com a troika em Portugal.
Não havia tantos votos nulos desde a primeira eleição de Cavaco
António Cotrim/Lusa
António Larguesa 07 de outubro de 2019 às 09:48

Mais de 88,5 mil portugueses fizeram questão de se deslocar às urnas este domingo, 6 de outubro, para pegar na caneta e invalidar o boletim de voto. Através de frases escritas ou de desenhos criativos, por exemplo, os nulos equivaleram a 1,74% dos votos totais contabilizados no território nacional.

 

E é preciso recuar quase aos primórdios da democracia, mais precisamente à primeira vez que Aníbal Cavaco Silva venceu umas eleições em Portugal – feito que haveria de repetir mais quatro vezes, entre legislativas e presidenciais – para encontrar um valor maior. Nessas legislativas de 1987 houve 103 mil votos anulados.

 

Se os votos nulos fossem um partido, por absurdo, seriam o sétimo maior no espetro político português. Aliás, superam o número de boletins contabilizados por cada um dos três partidos que asseguraram pela primeira vez um lugar na Assembleia da República: Chega, Iniciativa Liberal e Livre.

 

E se nesta análise forem somados os votos brancos, estes dois votos de protesto ultrapassam os 218 mil votos, isto é, mais do que os que foram recolhidos nestas eleições pelo CDS-PP (216,5 mil), que elegeu cinco representantes, e pelo PAN (166,9), que terá quatro deputados em São Bento na próxima legislatura.

 

Nesta análise do Negócios em que a comparação com os registos de 2015 é feita com os resultados dos círculos nacionais, uma vez que os dois da emigração ainda não foram disponibilizados, os votos em branco voltam a ser expressivos: 129.599, 2,54% do total. É o segundo valor mais elevado na história democrática do país, apenas abaixo dos quase 149 mil em 2011, quando Passos derrotou Sócrates após a troika aterrar em Portugal.

Como o Negócios noticiou, a taxa de abstenção registou um novo máximo histórico (45,5% em território nacional) em 2019, nestas que foram as quartas eleições legislativas consecutivas de quebra de recorde neste indicador. Face à última votação para a Assembleia da República, o número de eleitores que efetivamente foi votar caiu em quase 300 mil.




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