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Pinto Balsemão: "Não podemos perder tudo o que foi conquistado"

Francisco Pinto Balsemão salientou o esforço dos portugueses na superação da crise, destacou a importância do crescimento económico e apelou à serenidade em tempos de instabilidade política.

Francisco Pinto Balsemão é o 19.º Mais Poderoso 2015
Está em queda no poder em Portugal. O facto de ser patrão nos media garante-lhe isso. Ter sido primeiro-ministro e fundador do PPD dá-lhe uma influência decisiva. No próximo ano veremos se o peso que Passos Coelho lhe atribui dentro do partido é ainda de forma a ser o seu candidato presidencial - Rui Rio - o escolhido. Para já, na legislatura que termina conseguiu afastar as pretensões de haver mais canais de televisão em sinal aberto. Mas vêm aí tempos difíceis, em particular pelo renegociação com a PT.
Inês F. Alves inesalves@negocios.pt 19 de Novembro de 2015 às 17:16
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"Não podemos perder tudo o que foi conquistado com tanto esforço de todos os portugueses", defendeu Francisco Pinto Balsemão, acrescentando que "é preciso também coragem e manter a serenidade para garantir um bom ambiente empresarial, sindical e uma estabilidade política".

No discurso de abertura da conferência Portugal em Exame, o presidente do grupo Impresa disse que a economia portuguesa "parece ter iniciado um processo de convergência face aos seus parceiros do euro", que as melhorias conquistadas até agora não devem ser descuradas e apelou à serenidade. "Após três anos de recessão regressamos ao crescimento", disse.

O empresário destacou que "sem crescimento não conseguiremos manter a nossa independência financeira" ou ter "liberdade de escolha sobre os caminhos que queremos percorrer" e "estamos condenados a níveis inaceitáveis de desemprego, à imigração, e ao agravamento das desigualdades sociais". "O crescimento económico é essencial", defendeu, mas "não pode ser prosseguido a qualquer custo", ressalvou.

 

Francisco Pinto Balsemão salientou porém que há indicadores de alerta aos quais vale a pena estar atento, nomeadamente, a aceleração do consumo de bens duradouros que "traz a sombra negativa da aceleração das importações", o facto de o indicador de confiança ter diminuído ligeiramente em Outubro, assim como o indicador de clima económico.

Na conferência, destinada a debater o futuro da liderança, o empresário defendeu que "numa altura em que Portugal está a sair lentamente de uma das mais graves crises financeiras e económicas, é altura de olharmos para o que podem fazer os novos líderes empresariais".

"Temos a obrigação para com as gerações vindouras", disse, acrescentando que a sua expectativa é que "o poder público possa responder ao que dele é esperado e exigido", o que não invalida que "assumamos nós próprios as nossas responsabilidades", acrescentou perante uma plateia repleta de empresários das mais diversas áreas.

 

Incerteza política não preocupa empresários

Miguel Almeida, presidente executivo da Nos, um dos convidados para o primeiro painel desta conferência disse, quando questionado sobre o impacto da actual instabilidade política, que "um projecto empresarial tem de ter uma perspectiva de longo prazo" pelo qual passam "muitas fases e contextos económicos" e isso "não deve no essencial afectar a estratégia" da empresa.

"Uma estratégia de crescimento passa por planos e planos implicam o máximo de previsibilidade possível", assumiu o responsável, dizendo porém que a incerteza "é uma questão de dias" e tem lugar num período limitado de tempo e que nessa medida não é algo que "preocupe de sobremaneira" e que a empresa prosseguirá a sua estratégia, adaptando-se ao que a realidade impõe.

Uma estratégia de crescimento passa por planos e planos implicam o máximo de previsibilidade possível
Miguel Almeida

Todavia, a instabilidade preocupa Miguel Almeida "enquanto cidadão". Para o presidente executivo da empresa de telecomunicações o novo Governo deve estar "focado no desenvolvimento económico e no crescimento sustentado do país".

António Ramalho, presidente da Infra-estruturas de Portugal (IP), outro dos convidados desta sessão, salientou o que se verificou nos últimos quatro anos foi "uma enorme vitória da sociedade civil portuguesa" e recordando uma frase sobejamente conhecida, deixa um recado: "deixem as empresas trabalhar".

No que concerne a instabilidade política, Carlos Alvarez, do Banco Popular, um dos organismos que apoiou esta iniciativa, disse que há um Parlamento a respeitar e apelou somente a que "se faça oposição de forma construtiva". "O fundamental nisto tudo é o país", disse, acrescentando que é essencial "que o investimento não pare".

Já Daniel Traça, diretor da Nova School of Business and Economics, disse a actual incerteza política é "espuma que vai e vem" e que o que realmetre preocupa é uma eventual inversão na estratégia. O responsável salientou que a inversão económica foi "um processo doloroso" e que o que preocupa é que "que este processo agora ande para trás". "Se a tendência for voltar para trás, ai o impacto na economia portuguesa sentir-se-á", defendeu.

A conferência Portugal em Exame teve lugar esta quinta-feira no Museu do Oriente e contou com a presença de vários empresários além dos já citados, entre os quais, Diogo Cunha, do Banco Atlântico Europa, Isabel Vaz, da Luz Saúde, Mário Silva, da Santoro e António Jorge da Sogepoc.

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