Zona Euro Napolitano afasta novas eleições em Itália e Bersani descarta coligação com Berlusconi

Napolitano afasta novas eleições em Itália e Bersani descarta coligação com Berlusconi

Bersani descarta coligação com Berlusconi para resolver o impasse eleitoral de Itália. No entanto, o presidente italiano afirma não estar em cima da mesa a possibilidade de novas eleições.
Napolitano afasta novas eleições em Itália e Bersani descarta coligação com Berlusconi
Inês Balreira 01 de março de 2013 às 16:15

Giorgio Napolitano disse esta sexta-feira não estar interessado no cenário de novas eleições para resolver o impasse quanto ao futuro Governo de Itália, uma vez que as eleições do último fim-de-semana não deram maioria a nenhum dos partidos.

 

“Não estou interessado em voltar a uma votação”, considerou o presidente italiano, citado pela Reuters. O mandato de Napolitano termina a meio de Maio, no entanto, o líder rejeita a possibilidade de o seu sucessor convocar novas eleições: “duvido que o novo presidente pense apenas em novas eleições. Temos de ver como vamos dar um novo governo a Itália”, afirmou.

 

Apesar de os planos de Napolitano não passarem por novas eleições, a instabilidade política em Itália permanece. Bersani descartou, esta sexta-feira, a possibilidade de formar um governo de coligação com a direita. “Quero que fique bem claro, a ideia de uma grande coligação não existe e nunca existirá”, disse o líder do Partido Democrático (PD) ao “La Repubblica”.

 

Bersani revelou ao diário italiano que vai apresentar um programa governamental baseado num número limite de pontos, muitos dos quais estão em linha com a plataforma liderada por Grillo, avança a Reuters, e mostra-se pronto para formar um governo minoritário. “Podem chamar-lhe o que quiserem: um governo de minoria, um governo com um propósito limitado, não me interessa. Para mim é um governo de mudança”, assevera o líder do PD.

 

Apesar de ter uma maioria na câmara baixa italiana, Bersani não tem poder suficiente no Senado. Ao formar um governo minoritário, o líder do PD verá a sua missão bastante dificultada, pois sem uma maioria nas duas câmaras parlamentares, o governo de Bersani não conseguirá passar medidas legislativas nem ganhar o voto de confiança dos deputados.

 

Os processos judiciais por que Berlusconi está a ser julgado são um dos motivos que levam Bersani a afastar uma coligação com a direita. O ex-primeiro-ministro foi hoje a tribunal prestar esclarecimentos num dos três processos em que é acusado. Berlusconi negou as alegadas acusações de fraude fiscal e de suborno para a queda do último governo de esquerda em 2006, aponta a Reuters.

 

Grillo rejeitou já dar o voto de confiança a Bersani e acusa ainda o PD de tentar persuadir vários membros do Movimento 5 Estrelas para suportarem o governo de centro-esquerda. “O Movimento 5 Estrelas, os seus deputados, os seus activistas e os seus eleitores não estão à venda. O Bersani está acabado e não se apercebe disso”, declara Grilo.

 

Os dados económicos conhecidos esta sexta-feira dão conta dos problemas que o novo governo vai ter de enfrentar. Em Itália o desemprego está no nível mais alto dos últimos 20 anos, em 11,7%, e com o desemprego jovem a atingir 39% da população activa, revela a Reuters. A dívida pública italiana já representar 127% do PIB. A boa notícia acabou por ser a descida do défice de 2012 para 3% do PIB, tal como estava acordado com Bruxelas.




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