Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Nas escolas portuguesas há um computador por cada quatro alunos

Um estudo internacional tornado público esta terça-feira, 15 de Setembro, revela que nas escolas portuguesas há um computador por cada quatro alunos. Portugal pontua bem, ao ficar acima da média dos países da OCDE.

Liliana Borges LilianaBorges@negocios.pt 15 de Setembro de 2015 às 01:00
  • Partilhar artigo
  • 6
  • ...

Nas escolas portuguesas há um computador por cada quatro alunos, o que representa um resultado melhor do que a média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento (OCDE), onde este tipo de equipamento é dividido por mais de cinco alunos. A Austrália é o país com melhores resultados, com um computador disponível para cada aluno.

Os dados constam de um estudo baseado no Relatório Pisa 2012 da OCDE - "Estudantes, computadores e aprendizagem" - tornado público esta terça-feira, 15 de Setembro, onde se reflecte sobre qual o impacto da tecnologia nos resultados académicos dos jovens estudantes com 15 anos, e se conclui que a tecnologia ainda não está a ser rentabilizada em salas de aula.

"A tecnologia pode ampliar uma boa educação, mas não a pode substituir", alerta Andreas Schleicher, director para a Educação e Competências e um dos autores do estudo. "Se os estudantes utilizarem os smartphones para copiar e colar respostas pré-fabricadas é pouco provável que isso os ajude a tornarem-se mais inteligentes", acrescenta Schleicher.

Os últimos dados foram recolhidos em 2012, ano em que 96% dos alunos com 15 anos possuiam computadores em casa. Mas apesar da forte presença das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) no nosso dia-a-dia, estas ainda não foram amplamente introduzidas no sistema de educação formal. 

No entanto, os autores do relatório alertam que a utilização de tecnologia nas salas de aula não se traduz na garantia de competências básicas de português, matemática ou ciências.

Na maioria dos países, as diferenças entre os alunos com vantagens e desvantagens no acesso ao computador diminuíram. Só que os resultados dos testes no computador realizados pelo PISA mostram que a diferença detectada nos grupos socioeconómicos é largamente, se não totalmente, explicada pelas diferenças observadas nas competências mais tradicionais de aprendizagem.

Isto mostra que, para reduzir as desigualdades na capacidade de beneficiar das ferramentas digitais, os países devem apostar na igualdade na educação, garantindo que todas as crianças têm uma formação base sólida em português e matemática, o que trará mais resultados do que a simples expansão ou aposta no acesso a serviços digitais.

 

Portugal abaixo da média nas competências de leituras

No que diz respeito aos resultados nas competências de leitura a nível digital, Portugal fica estatisticamente abaixo da média da OCDE. No topo da lista está Hong Kong. Apesar disso, os valores são igualmente baixos quer se trate de uma leitura online ou em papel, mas são ainda mais baixos caso se olhe para a avaliação exclusivamente online.

Na avaliação da sua posição com os resultados de matemática avaliados pelo computador, Portugal conquista uma média de 489, no 13.º lugar.

Em Portugal, cerca de 97,1% estudantes com 15 anos tem pelo menos um computador em casa, um número acima da média dos países a integrar a lista da OCDE, registada a 95,8%. No entanto, em relação a 2009 houve uma queda de 0,9%. O país com a taxa mais elevada é a Dinamarca, com 99,9% enquanto na Indonésia apenas 25,8% dos jovens tem pelo menos um computador em casa.

Ao mesmo tempo, houve um aumento de cerca de 5% do número de jovens com três ou mais computadores em casa, de 2009 para 2012. Nos dados mais actuais, em Portugal, quase 37% dos jovens tinham três ou mais computadores nas suas casas. A média da OCDE é que 42,8%.

Jovens passam 99 minutos por dia na Internet

Já no que diz respeito à utilização de Internet, os jovens portugueses passam cerca de 99 minutos por dia na internet fora do período de aulas. Já enquanto estão na escola, o recurso à internet desce para 24 minutos por dia. Destes, cerca de 6% afirma utilizar a internet fora da escola mais de seis horas por dia. Os autores do estudo alertam que alguns destes alunos que passam mais de seis horas por dia na internet têm um risco particular de se sentirem sozinhos na escola e faltarem às aulas.

Em Portugal há um computador por escola para cada quatro alunos, o que representa um resultado melhor do que a média da OCDE, onde um computador é dividido por cerca de cinco alunos. A Austrália é o país com melhores resultados, com um computador disponível para cada aluno.

Uma visão mais globalizada permite concluir que os estudantes na Coreia do Sul e Singapura têm melhores resultados nas competências digitais, enquanto na Austrália, Canadá, Hong Kong e Estados Unidos da América estes resultados são mais fortes nas competências com a leitura no papel. Já na Polónia e na China os resultados são igualmente fortes nas duas avaliações.


O relatório mostra ainda que cada vez menos jovens utilizam a internet para acederem ao email ou chats, mas usam a rede para lazer e fazer download de música, filmes jogos e software.  

 

Ver comentários
Saber mais Computadores OCDE Ensino escolas Relatório Pisa
Outras Notícias