Política No cenário do PS, se a Grécia sair do euro Portugal pode ir atrás

No cenário do PS, se a Grécia sair do euro Portugal pode ir atrás

O cenário macroeconómico que um conjunto de 12 economistas elaborou para servir de base ao programa eleitoral do PS contempla a hipótese de uma saída da Grécia do euro. Se isso acontecesse, o crescimento do PIB cairia de uma média de 2,6% para 0,5%.
No cenário do PS, se a Grécia sair do euro Portugal pode ir atrás
Bloomberg
Negócios 18 de junho de 2015 às 10:41

Se a Grécia sair do euro, Portugal pode ir a seguir. É pelo menos essa a previsão que consta do cenário macroeconómico elaborado por 12 peritos para o PS. De acordo com o Diário de Notícias desta quinta-feira, 18 de Junho, o documento diz que, a confirmar-se a saída da Grécia da moeda única, isso "poria inevitavelmente em questão a permanência de Portugal na Zona Euro" e "eventualmente poria em causa a própria existência do euro tal como o conhecemos".

 

O documento do PS, que prevê um crescimento médio do PIB de 2,6% entre 2016 e 2019, antecipa uma expansão bem mais tímida caso a Grécia deixe a moeda única: o PIB não subiria mais do que 0,5% por ano. No total, a saída de Atenas custaria mais de 15 mil milhões de euros à economia portuguesa, o desemprego não desceria do nível em que está hoje (13%), a dívida pública continuaria a escalar até 135% do PIB e o défice previsto para 2019 seria de 4,6% - superior ao estimado para este ano e 3,6 pontos acima do que os socialistas prevêem sem saída da Grécia.

 

Ao Diário de Notícias, Mário Centeno, que coordenou a elaboração deste cenário, explica que uma saída da Grécia obrigaria um governo do PS a alterar medidas como a reposição salarial na Função Pública ou a eliminação da sobretaxa de IRS. Teriam, ainda assim, de "continuar a ser postas em prática políticas de incentivo ao crescimento económico, para enfrentar melhor esse cenário". Centeno recusou cenarizar uma eventual saída de Portugal do euro.

 

Os economistas que trataram das propostas do PSD não previram uma saída da Grécia do euro. Em declarações ao diário, Pedro Reis, que coordenou a equipa de 20 economistas, diz que "seria difícil quantificar os efeitos" e sustenta que, mesmo que a Grécia saia, "o Governo português já fez o que podia para evitar um contágio". A estratégia dos "cofres cheios" leva a que Portugal esteja apenas sujeito "ao risco europeu".





O que diz o Cenário Macroeconómico do PS sobre um cenário de "crise europeia profunda e prolongada" 

"O cenário de crise europeia profunda e prolongada é um cenário em que a institucionalização da possibilidade de expulsão de países da área do euro gera uma deterioração significativa das condições de financiamento, com aumento dos spreads da dívida soberana com transmissão ao sector bancário dos países em crise. Um tal cenário implicaria um aumento da incerteza, uma deterioração da confiança dos agentes económicos e perspectivas  de procura cada vez mais incertas. Neste contexto, a despesa das famílias e empresas seria seriamente afectada com impactos negativos sobre o consumo e o investimento, com especial incidência nos países em crise, incluindo Portugal. As exportações portuguesas tenderiam a ser afectadas pela deterioração generalizada da actividade na área do euro, nomeadamente em Espanha.  

 

A materialização deste cenário teria sérias consequências sobre a actividade económica em Portugal, a evolução dos preços e a sustentabilidade da dívida pública. Neste cenário, o crescimento da actividade económica manter-se-ia em cerca de 0,5% entre 2016 e 2019 (1,2 pontos percentuais abaixo do cenário central inicial). O baixo crescimento da actividade económica traduziria uma estagnação do consumo privado, um crescimento incipiente do investimento e um crescimento mais reduzido das exportações. O crescimento dos preços na economia portuguesa manter-se-ia em níveis reduzidos à semelhança do registado na área do euro. Neste contexto, o emprego reduz-se cerca de 0,6% a partir de 2017 e, não obstante a redução da população activa, implica a manutenção da taxa de desemprego em cerca de 13% até 2009. Neste cenário, o défice orçamental aumenta de 3,2% do PIB em 2015 para 4,6% em 2019 pressionado pelo aumento da despesa com juros e prestações sociais e pela descida da receita fiscal em linha com a redução da actividade económica e a evolução dos preços e salários. A dívida pública manteria uma trajectória ascendente atingindo os 135% do PIB em 2019 (121% do PIB no cenário central inicial).

A materialização deste cenário criaria uma situação particularmente delicada tanto do ponto de vista político e económico como do ponto de vista social. Neste quadro, particularmente associado a uma eventual saída da Grécia da Zona Euro, com o peso da dívida pública a crescer de forma desmesurada poria inevitavelmente em questão a permanência de Portugal na Zona Euro e eventualmente poria em causa a própria existência do euro tal como o conhecemos hoje. É precisamente este cenário dramático, que importa evitar a todo o custo, que justifica todo o exercício desenvolvido neste Relatório de apresentar uma alternativa séria mas credível às políticas que têm vindo a ser implementadas."              




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