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Nogueira Leite diz que Portugal "optou e bem" por 'saída limpa'

O economista António Nogueira Leite disse que Portugal "optou e bem" por uma 'saída limpa' face ao programa cautelar, mas afirmou temer que a falta de "um escrutínio muito forte" ponha em causa o esforço realizado.

Miguel Baltazar/Negócios
Lusa 04 de Maio de 2014 às 22:41
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"Tenho medo de que sem um escrutínio muito forte nós possamos, em meia dúzia de meses, pôr a perder tudo aquilo que fizemos em três anos com tanto esforço", disse Nogueira Leite, em declarações à Lusa.

 

Segundo o economista, este risco não advém daquele que tem sido o caminho do Governo, até porque "o primeiro-ministro tem mostrado claro que percebeu que não haverá grande margem de manobra", mas sim do facto de "a grande maioria da opinião, pelo menos publicada, ir no sentido de que muito do ajustamento" que Portugal tem feito "é escusado".

 

"As pessoas têm estado a prometer à população crescimento sem austeridade, sem dificuldade e sem esforço e, portanto, voltamos ao discurso do final dos anos 90. Em Portugal, há um discurso totalmente desfasado da realidade que nos enfrenta e isso é muito perigoso, porque leva a um acrescer de ilusões, que depois não são materializáveis e têm consequências sociais e políticas muito perigosas", avisou.

 

O economista e também antigo secretário de Estado do Tesouro do Governo de António Guterres teme que Portugal volte a uma situação em que os erros cometidos no passado se possam repetir e adverte que se isso acontecer as condições para a resolução dos problemas "vão ser muito mais duras e muito mais onerosas" do que as que o país enfrentou e foram "tão difíceis" nos últimos três anos.

 

"Quando oiço a opinião pública que comenta, seja de direita, nomeadamente do PSD, em que antigos líderes se posicionam à esquerda do Partido Socialista, em matéria de finanças públicas [...], seja de esquerda, verificamos que as pessoas continuam a fazer um discurso como se nada se tivesse passado neste país", disse.

 

Nogueira Leite afirmou que já se previa a 'saída limpa', argumentando que o país passou as 12 avaliações, que os mercados têm reagido bem à evolução da situação em Portugal e tendo em conta que alguns parceiros se mostraram disponíveis para proporcionar uma escolha entre a opção tomada e a forma mais suave do cautelar.

 

"Portugal acabou por ter como alternativa, muito por pressão da Finlândia e de outros países do Norte, a escolha entre um cautelar, que é equivalente a segundo resgate, ou saída limpa. Optou, a meu ver bem, por uma saída limpa, porque Portugal não precisa de um segundo resgate", sublinhou.

 

Nogueira Leite afirmou contudo que preferia "alguma condicionalidade adicional sobre aquilo que tem sido o caminho" dos políticos em matéria de finanças públicas e reformas ao longo dos últimos 20 anos.

 

Para o economista, algum controlo seria preferível ao escrutínio da União Europeia, que se vai seguir, no âmbito do tratado orçamental. Contudo, considerou que, tendo em conta as condições em cima da mesa, a saída sem recurso a cautelar "é a melhor opção".

 

O primeiro-ministro anunciou hoje, numa comunicação ao país, que Portugal vai sair do actual programa de resgate financeiro sem recorrer a qualquer programa cautelar, regressando autonomamente aos mercados.

 

"Depois de uma profunda ponderação de todos os prós e contras, concluímos que esta é a escolha certa na altura certa. É a escolha que defende mais eficazmente os interesses de Portugal e dos portugueses e que melhor corresponde às suas justas expectativas", justificou o chefe do executivo PSD/CDS-PP.

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