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Nogueira Leite prevê recessão em 2003; retoma no Verão de 2004

O economista Nogueira Leite, que argumenta a ocorrência de uma recessão em 2002, perspectiva uma quebra do Produto Interno Bruto (PIB) este ano pior do que a registada em 1993, contrariando as previsões quer do Banco de Portugal quer do Governo.

Bárbara Leite 18 de Fevereiro de 2003 às 16:15
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O economista Nogueira Leite, que argumenta a ocorrência de uma recessão em 2002, perspectiva uma quebra do Produto Interno Bruto (PIB) este ano pior do que a registada em 1993, contrariando as previsões quer do Banco de Portugal quer do Governo.

À margem da conferência de imprensa para apresentação da reestruturação da Reditus, Nogueira Leite afirmou que «não tenho dúvidas que a economia portuguesa entrou em recessão em 2002».

«A minha perspectiva da economia esteja numa má situação pelo menos durante 2003», sublinhou a mesma fonte.

No terceiro trimestre de 2002 o PIB nacional recuou 0,5% contra o período homólogo e 2,5% face aos três meses anteriores, o que indica que Portugal deverá ter entrado em recessão no segundo semestre do ano passado, caso o PIB sofra nova queda trimestral nos últimos três meses de 2002. Uma recessão técnica ocorre quando o PIB contrai por dois trimestres consecutivos.

A situação económica estimada para o presente ano «é certamente pior do que a de 1993», destacou, lembrando que algumas entidades defendem que o PIB em 1993 apresentou um decréscimo de 1%.

Para o ex-presidente da Euronext Lisbon nenhum sector escapa à crise. «Uma situação destas atinge a economia toda, não estou a ver sectores que escapem».

As empresas nacionais terão que esperar pelo Verão de 2004, «se tudo correr bem», para assistirem a uma retoma do consumo e do investimento e, consequentemente, da economia nacional, referiu Nogueira Leite.

Contudo, o responsável pelo conselho de estratégia da Reditus [RED] alerta para o comportamento da economia alemã que poderá agravar mais a situação da economia em Portugal.

«A questão conjuntural depende pouco de nós», revelou Nogueira Leite, assegurando que «não há nenhum instrumento que a autoridades tenham ao seu dispor para fazer o que quer que seja».

A conjuntura internacional também não ajuda à recuperação da economia, disse Nogueira Leite, defendendo que, mesmo assim, «a economia portuguesa parte de uma situação muito má: os agentes económicos estão bastante endividados e não há instrumentos de estabilização por parte do Governo».

Nesse sentido, aquele responsável entende que «a situação é francamente pior do que aquela que nós tínhamos em 1993, quando a economia caiu 1% e não tenho dúvidas que vai decrescer em 2003».

Esta estimativa contrasta com as perspectivas do Banco de Portugal e do Governo, indiciando que possam ocorrer, revisões em baixa, daqueles indicadores durante este ano. O Banco de Portugal prevê que o PIB cresça entre 0,25% a 1,25%, enquanto o Governo é mais optimista, estimando uma subida do PIB entre 0,75% e os 1,75%.

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