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Nova solução na Grécia "pode abrir perspectivas interessantes para Portugal"

Maria João Rodrigues foi autora de um documento dos Socialistas Europeus que defende "uma nova solução para a Grécia", negociada entre o novo Governo de Alexis Tsipras e as instituições europeias, com supervisão europeia e não mais da troika, que também envolve o FMI.

José Barradas/Correio da Manhã
Lusa 09 de Fevereiro de 2015 às 18:33
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Maria João Rodrigues, deputada do PS e vice-presidente dos Socialistas Europeus (S&D), foi a autora de um documento sobre a situação da Grécia hoje aprovado, em Estrasburgo, por este grupo político (o segundo maior da assembleia europeia, apenas atrás do Partido Popular Europeu), em vésperas de um Eurogrupo extraordinário e de um Conselho Europeu no qual serão discutidas as pretensões de Atenas.

 

"O grupo acaba de aprovar uma posição sobre a situação na Grécia que diz que a partir de agora o povo grego precisa de outra solução, e que essa solução deve ser negociada directamente com as instituições europeias, ou seja, Comissão Europeia, Conselho e com o seguimento também da parte do Parlamento. Nós precisamos de um verdadeiro programa conjunto entre instituições europeias e Grécia", frisou a eurodeputada, em declarações à Lusa.

 

Apontando que o S&D "não concorda com o método seguido até agora, que é o de utilizar uma equipa chamada 'troika' que, de facto, não é responsabilizável politicamente" e "não tem a necessária legitimidade democrática", Maria João Rodrigues defendeu que esse "programa conjunto tem que abrir uma verdadeira solução para a Grécia", que não apareceu ao cabo de vários anos de 'troika'.

 

Segundo os socialistas, há que "abrir para a Grécia uma real possibilidade de reduzir o peso da dívida", seja através de melhorias em matéria de taxas de juro e maturidades, seja através de outras formas de pagar a dívida, como por exemplo indexando-a ao crescimento do PIB.

 

Este grupo defendeu ainda que é preciso dar mais tempo a Atenas para equilibrar o seu orçamento e negociar um programa que incorpore algumas reformas, "mas com prioridades diferentes daquelas praticadas até agora" e que deve assentar numa "grande prioridade para o investimento e criação de emprego".

 

"Eu devo dizer que, nesta ronda de capitais que foi feita pelo novo Governo grego, se percebeu que há sensibilidades diferentes, e posso dizer que os governos que pertencem à família socialista têm uma posição de maior abertura", disse, apontando que, neste momento, existe "uma dificuldade particular o com governo alemão". "Mas a nossa família, com o peso que tem aqui no parlamento e no conselho europeu vai trabalhar para um compromisso que abra outra perspectiva para a Grécia", disse.

 

Questionada sobre as implicações que uma renegociação dos termos da ajuda à Grécia podem ter para Portugal, a eurodeputada do PS apontou que a situação é diferente, pois Portugal já não está sob programa, mas admitiu que "a lógica subjacente a outra solução na Grécia pode abrir perspectivas interessantes para Portugal", com a devida adaptação.

 

Deste modo, Maria João Rodrigues discorda da posição que o Governo PSD/CDS-PP tem adoptado, considerando-a "um erro de avaliação política", já que, na sua opinião, "a Grécia tem algumas particularidades", mas também é vítima, como Portugal, "de uma questão mais geral, que é um funcionamento da União Económica e Monetária que tende a penalizar os países menos competitivos e a agravar as divergências económicas e sociais".

 

"Portanto, é do nosso interesse corrigir isso (...) e é do nosso interesse participar no debate mais geral, que aliás vai ser apresentado neste Conselho Europeu desta semana, que é como reformar a UEM por forma a que se torne um espaço de convergência, e não de divergência. Portugal tem que estar activo nessa discussão", declarou.

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