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Nova universidade deverá ser mais que somatório de Clássica e Técnica

Mais do que um "casamento" de instituições através de uma fusão, os reitores da Universidade de Lisboa e da Universidade Técnica de Lisboa ambicionam a descendência: uma nova universidade cuja ambição à partida não é Portugal, mas o mundo.

Lusa 20 de Abril de 2012 às 08:00
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Em entrevista conjunta à Agência Lusa, os reitores António Sampaio da Nóvoa (Universidade de Lisboa) e António Cruz Serra (Universidade Técnica de Lisboa) descreveram a nova instituição que pretendem que se crie em Lisboa como uma universidade de dimensão mundial, a primeira a consegui-lo realmente em Portugal.

"A nossa ambição não é Portugal, é muito maior. Tem a ver com a Europa, com o mundo e com o espaço da Língua Portuguesa", afirmou Sampaio da Nóvoa, reconhecendo que a excelência dos cursos de ambas as instituições reconhecida no espaço do ensino superior português não chega para competir com o resto do mundo.

Cruz Serra referiu que a internacionalização é "absolutamente crucial" num "mercado selvagem" em que se disputam "os melhores talentos", sejam alunos ou professores.

Sampaio da Nóvoa afirmou que ambos partilham com algumas das personalidades que contribuíram para o debate público a ideia de que a fusão não pode ser só "um mero somatório" das duas instituições.

"Algumas vezes fomos acusados de ter como única ambição uma universidade maior, mas isso é para nós mais ou menos irrelevante", garantiu o reitor da Clássica.

Reconhecendo que vai "levar muito tempo", Sampaio da Nóvoa afirmou que gostaria que todo o projecto servisse de testemunho à capacidade das universidades se auto-renovarem, contrariamente ao que disseram "todos os que ao longo dos anos foram mandando isso à cara como se fosse um dado adquirido".

Uma das condições reiterada nas várias escolas de ambas as universidades para apoiar a fusão foi a "manutenção da identidade", algo que ambos os reitores reconhecem como pedra de toque para o sucesso do projecto.

Instituto Superior Técnico ou Faculdade de Medicina são "grandes nomes", com "décadas de enorme prestígio e identidade", pelo que seria "o maior dos disparates inventar uma coisa nova" que não os respeitasse.

Por isso, o nome a dar à nova universidade que venha a sair do processo de fusão e os seus símbolos terão que ser decididos pelos Conselhos Gerais de ambas as instituições.

"Não vai ser seguramente um problema", afirmou Cruz Serra, indicando que uma decisão dessas não se toma "por sentimento" mas "racionalmente e informadamente".

Sampaio da Nóvoa acrescentou que são "coisas que não se alteram com decisões escritas, por decretos ou decisões estatutárias".

"Vêm de muito fundo na história das universidades" e têm que ser tratadas com "sensibilidade", mas sempre "num processo transformador", sem ficar preso a "coisas do passado".

Cruz Serra afirmou que na espinha dorsal do projecto está a vontade de "garantir que professores, investigadores e alunos têm as melhores condições de trabalho" e de fazer com que trabalhem "sem se darem conta de que há reitores ou presidentes de faculdade".

No fundo, o objectivo é "transportar para dentro das escolas, projectos de investigação e gestão académica a autonomia" que se pretende para a nova universidade, a par de uma responsabilização pela tomada de decisões.

"A [nova] universidade será um desafio do ponto de vista da gestão mas não há uma alteração abissal relativamente ao que já é a gestão de algumas das nossas unidades", indicou.




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