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O caso que pressiona Rajoy para a demissão

Mariano Rajoy está sob pressão. Apesar da maioria parlamentar, o chefe do Executivo espanhol está a ser pressionado pela oposição a demitir-se. Por causa do escândalo de corrupção que afecta o seu partido, o PP, cujo ex-tesoureiro está a ser julgado em tribunal.

Reuters
Alexandra Machado amachado@negocios.pt 15 de Julho de 2013 às 21:50
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Luís Bárcenas está no centro do caso que envolve o PP e um esquema de contabilidade paralela. E esta segunda-feira, em tribunal, Bárcenas garantiu ter dado dinheiro “vivo” a Rajoy e à secretária-geral do partido entre 2008 e 2010.

 

Em Janeiro a bomba estoirou. O jornal “El Pais” publicou vários documentos com pagamentos ao PP, recibos de pagamentos com destinatários e vários movimentos bancários. Segundo o jornal, todos os anos eram colocados de lado parte dos donativos que alegadamente serviam para remunerações suplementares a dirigentes do partido. O pagamento era feito em dinheiro. Rajoy terá sido um dos dirigentes a receber essas remunerações suplementares. O que tem negado e não tem qualquer acusação a pender sobre si. Também esta sexta-feira a secretária-geral do PP, Maria Dolores de Cospedal, contestou, em conferência de imprensa, ter recebido dinheiro do ex-tesoureiro que em tribunal não apenas referiu ter dado dinheiro a estes dois dirigentes como entregou documentos que, segundo os jornais espanhóis, revelam os pagamentos feitos por baixo do pano.

 

Barcenas geriu as finanças do PP durante mais de 20 anos. Quando o escândalo veio à luz do dia soube-se que o ex-tesoureiro tinha contas na suíça superiores a 48 milhões de euros. O ex-tesoureiro negou a contabilidade paralela até mudar de estratégia quando foi preso em Junho. Agora diz que foi pressionado, pelo PP, a não revelar essa contabilidade. Em Tribunal confirmou não apenas a existência de contas paralelas, como disse ao juiz – num depoimento de cinco anos – que foi ele o autor da contabilidade B e que pagou aos dirigentes. 90 mil euros para Rajoy e Cospedal em 2009 e 2010. Entregava o dinheiro em notas de 500 euros. E sem recibos. Em tribunal, Bárcenas afirmou que o PP se financiou ilegalmente durante 20 anos com donativos de empresários a troco de adjudicações.

 

Segundo a agência espanhola, Efe, Bárcenas revelou também que seguiu um procedimento que

O Estado de direito não se submete a chantagens. Aqui há um Governo estável.


 Rajoy

já existia no partido quando chegou a tesoureiro em 1991 e que foi iniciado no tempo de Rosendo Naseiro, tesoureiro na época de José María Aznar. Os donativos de determinadas empresas não constavam na contabilidade oficial porque ultrapassavam os limites legais ou porque eram empresas ou empresários com contratos com a Administração Pública e como tal impedidos de fazer financiamento aos partidos.

 

Rajoy nega tudo. Mas no último fim-de-semana o “El Mundo” revelou algumas mensagens escritas (SMS) trocadas entre o chefe do Executivo espanhol e Bárcenas, já este ano, nas quais Rajoy tentará controlar os danos. Em 2012 escrevia-lhe:  "Luís, nada é fácil, mas fazemos o que podemos. Ânimo". E já este ano, 48 horas depois de serem conhecidas as contas suíças, Rajoy escrevia a Bárcenas: “Sê forte”.

 

Força que agora revela para si próprio, dizendo aos espanhóis que não se vai demitir. “O Estado de direito não se submete a chantagens”, disse ainda esta segunda-feira, 15 de Julho, deixando o aviso à oposição: “aqui há um Governo estável”. Rajoy foi eleito a 20 de Novembro de 2011, garantindo uma maioria parlamentar. Logo em Dezembro desse ano apresenta o seu plano de austeridade. Os espanhóis saíram à rua várias vezes em protesto com as medidas de corte de despesas do estado e aumento de impostos.

 

O principal partido da oposição – PSOE – já rompeu as relações com PP e exige a demissão de Rajoy, menos de um mês depois dos dois partidos terem feito um pacto para a política europeia, onde defendem a necessidade de se avançar na união bancária, fomentar o emprego jovem e aumentar os fundos europeus destinados a PME. Os partidos entenderam-se. Assinaram um acordo. Mas agora ficam novamente de costas voltadas.

 

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