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O contra-relógio para a paralisação dos Estados Unidos que está a mexer com os mercados

À meia-noite desta segunda-feira, os norte-americanos poderão ficar sem financiamento assegurado para os serviços não essenciais. O acordo entre o Senado, dos democratas, e a Câmara dos Representantes, dos republicanos, não parece fácil. E mesmo que haja entendimento, já há olhos postos numa outra polémica.

Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 30 de Setembro de 2013 às 10:20
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Uma paralisação operacional a partir da meia noite, hora local. Será esta a realidade dos Estados Unidos caso o Congresso não chegue a um acordo para impedir que a maior economia do mundo fique sem fundos para gastar.

 

Os receios face a um entendimento para o financiamento operacional do país têm-se intensificado nas últimas semanas e ganharam força neste fim-de-semana. Aproxima-se o dia 1 de Outubro, em que já não haverá financiamento governamental caso não haja um acordo entre os dois principais partidos do país.

 

A Câmara dos Representantes, controlada pelos Republicanos, votou um diploma em que renova o financiamento para a administração norte-americana até 15 de Dezembro. Só que esse financiamento está associado, na proposta de diploma, a um adiamento, por um ano, do programa para a área de saúde “Obamacare”, além de outras alterações à legislação.

 

Na outra câmara do Congresso, no Senado, controlado pelos Democratas (partido de Obama), essa é uma decisão que não agrada. Como conta o “Financial Times”, a percepção é a de que tal proposta é inaceitável. Da mesma forma, a Casa Branca assinalou que a mesma seria vetada. O Senado irá reunir-se esta segunda-feira, pelas 14 horas locais.

 

Sem acordo para um diploma que estabelece a despesa para o próximo ano orçamental (início a 1 de Outubro), haverá uma paralisação parcial. A acontecer, será a primeira vez que tal acontece em 17 anos. A última vez foi em 1996, sendo que, desde 1977, ocorreu 17 vezes, segundo dados da Bloomberg.

 

A Reuters escreve, esta segunda-feira, um artigo em que sublinha uma imagem que descreve o último “shutdown” nos Estados Unidos.

 

“Era um sinal na porta do Museu do Ar e do Espaço, em Washington, que dizia: ‘Devido à paralisação do governo federal, o Instituto Smithsonian tem de estar fechado. Pedimos desculpa pelo inconveniente”. Na altura, a presidência do democrata Bill Clinton estava em combate com uma Câmara dos Representantes igualmente sob domínio republicano.

 

Numa paralisação governamental, mais de um milhão de funcionários da administração federal ficarão sem trabalho. De acordo com o “Financial Times”, estes trabalhadores não irão receber quaisquer pagamentos.

 

Os serviços considerados como não essenciais, como museus, serão encerrados. Os programas com financiamento específico afectado mantêm-se em funcionamento.

 

A próxima polémica

 

As agências internacionais não deixam esquecer um elemento: é que o impasse no que diz respeito ao financiamento é um prenúncio da próxima batalha política. É que, em meados de Outubro, regressa uma polémica que decorreu há dois anos: a discussão sobre o tecto da dívida (“debt ceiling”). Washington tem de chegar a acordo para que o limite de endividamento aumente, para evitar que entre em incumprimento no pagamento de algumas obrigações.

 

O impasse norte-americano está a conduzir os mercados para terreno negativo. Wall Street, depois dos máximos – muitos deles históricos, como o Dow Jones –, perdeu terreno ao longo da última semana. As bolsas da região da Ásia e do Pacífico iniciaram a semana em queda. A Europa também está tingida de vermelho. As matérias-primas, consideradas activos mais arriscados, também estão a perder valor. Os investidores estão assustados com a incerteza actual - e futura.

 

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