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Sócrates garante que o grupo Lena nunca foi favorecido. E apresentou números

O antigo primeiro-ministro deu esta segunda-feira uma entrevista à TVI onde negou as imputações que lhe são feitas e apresentou números da "sua própria investigação" feita aos contratos com o grupo Lena durante o seu Governo.

Liliana Borges LilianaBorges@negocios.pt 14 de Dezembro de 2015 às 23:27
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"Há duas imputações que me fazem: a primeira é de que o dinheiro do meu amigo é meu e a segunda é de que o dinheiro foi obtido de forma corrupta", resumiu José Sócrates, em entrevista à TVI, esta segunda-feira.

O antigo primeiro-ministro alega que no momento em que foi detido e interrogado "não havia nenhum indício de corrupção" e refere ainda que na altura, quando lhe disseram que a investigação estava apenas a começar, respondeu, em tom de brincadeira, "chamem-me no fim".

"Detiveram-me sem indícios, mas não investigaram nenhum processo, nenhum júri, nenhum secretário de Estado. Não investigaram nada", afirmou Sócrates. O antigo primeiro-ministro diz que houve uma "acusação genérica" que nunca avançou para análise de evidências ou provas concretas. 

Num processo onde acusa o Estado de ter conduzido ou permitido que fosse conduzida "uma campanha de difamação", cujo "objectivo foi transformar a presunção de inocência na culpabilidade", Sócrates disse ter seguido ele próprio a sua investigação e apresentou alguns números. 

José Sócrates falou do grupo Lena e garantiu que nunca favoreceu o seu amigo Carlos Santos Silva, e garante que nunca, "nem em Portugal nem no estrangeiro" falou "enquanto primeiro-ministro em nenhum dos seus negócios e nenhuma das suas empresas".

A empresa Lena estava presente em duas parcerias público-privadas que venceu. Foram duas em 21. Dessas duas, que são as parcerias público-privadas (PPP) do Baixo-Tejo e Litoral Oeste, numa tinha 7,8% do consórcio e no outra tinha 16,25%. Quem ganhou foram as outras empresas que estavam no consórcio", argumentou.

Sócrates negou também que o grupo Lena tenha sido o maior fornecedor durante o seu Governo, nem em quantidade nem em valor financeiro, acrescentando ainda que "em 2010, no meu Governo, a empresa Lena obteve 0,25% dos contractos públicos e em 2012 obteve 0,36%". "No tempo do Passos Coelho adjudicou mais contratos do que o meu período", defendeu-se.


Caso Cofina

Sobre a proibição imposta ao grupo Cofina na publicação de notícias sobre o caso Sócrates, no qual se inclui o Negócios, o ex-líder socialista disse estar "em causa o prestígio das instituições", posto em causa com a violação do segredo de justiça, que diz ter-se tornado "um negócio". Sócrates afirmou ainda que qualquer juíz que contrariasse a vontade do Ministério Público era "atacado nos jornais".

O antigo primeiro-ministro apontou ainda existir uma troca de informações em troco de favores. "Toma lá a informação e dizes bem de mim no jornal", acusa. "O comércio é este e está a afectar as coisas dignas do segredo de justiça", ressalvou, remetendo a decisão da proibição para a juíza responsável pelo despacho. "O que a juíza decidiu é que não poderiam cometer crimes". 

Por discutir ficaram temas como o empreendimento de Vale do Lobo. O resto da entrevista será transmitido esta terça-feira, 15 de Dezembro. 

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