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O olhar do presidente da Galp Energia sobre Davos

O desemprego tem sido a marca das preocupações dos líderes económicos e políticos dos países do hemisfério norte. A gestão do crescimento concentra as atenções das lideranças do sul do mundo. A síntese do presidente da Galp Energia sobre o que viu e ouviu em Davos.

O olhar do presidente da Galp Energia sobre Davos
Helena Garrido Helenagarrido@negocios.pt 27 de Janeiro de 2012 às 17:17
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O Fórum Económico Mundial que anualmente se reúne na estância suiça de Davos é a oportunidade de perceber o que pensam e quais as preocupações dos líderes políticos, económicos, financeiros e empresariais de todo o mundo.

No testemunho ao Negócios do presidente da Galp Energia, Manuel Ferreira de Oliveira, que tem estado em Davos, as diferenças deste ano revelam-se pela zona do globo em que vivem as lideranças.

“As intervenções e conversas com os líderes dos países do hemisfério Norte são marcadas por uma grande preocupação com o emprego”, diz Manuel Ferreira de Oliveira em conversa telefónica, ontem, com o Negócios.

“Como conseguir postos de trabalho para os nossos jovens?”, é a questão que concentra as atenções de quem dirige países ou empresas nos países do Norte, fustigados por uma crise que começou por ser financeira com epicentro nos Estados Unidos e atingiu a economia, para voltar a ser financeira e económica, mudando o seu epicentro para a Europa.

“A preocupação com o emprego tem estado presente em todas as línguas dos países do Norte”, diz Ferreira de Oliveira. E o agravamento das assimetrias na distribuição do rendimento? “A desigualdade”, diz, “é vista como a consequência da falta de oportunidades de trabalho”.

“No Hemisfério Sul a preocupação é a gestão do crescimento”, afirma o presidente da Galp Energia. As questões que procuram responder são: “Como crescer melhor; Como combater o crescimento; Como endogeneizar essa prosperidade”.

Os países do Sul já não procuram ajuda do Norte, buscam vias de manter nos seus territórios, com benefício das populações, o rendimento que ali é gerado. Um dos problemas que os países do hemisfério sul têm é a saída, para o Norte, da riqueza que ali é acumulada, impedindo aquilo que Ferreira de Oliveira designa como “endogneização do crescimento”.

O novo Norte e a visão de Portugal

“É um novo Norte que começa a ser visível”, considera Ferreira de Oliveira que se percebeu neste Forum de Davos. “Um Norte onde temos história, tecnologia e gente muito bem preparada”.

A crise no euro esteve presente mas na perspectiva da solução e não do colapso. A mensagem que se afirmou em Davos, na análise de Ferreira de Oliveira, foi a do “compromisso das lideranças políticas de que a Europa [da União] existe para ser fortalecida, que a direcção é a do aprofundamento”.

Também a visão que o presidente da Galpenergia recebeu sobre Portugal foi, segundo testemunha, positiva. “Portugal tem história, activos e vontade de ultrapassar os problemas que enfrenta”, assim falou a Ferreira de Oliveira o líder de uma empresa indiana.

Conta ainda que foi insistentemente questionado pelo gestor de uma empresa alemã se, na sua opinião, deveria preparar um plano de contigência para a implosão do euro. Recebendo como resposta um ‘não?, acabou, o líder da empresa alemã, por confessar que também ele não tinha nem acreditava que fosse necessário um plano para o desmembramento da moeda única

O Fórum Económico Mundial tem este ano como tema “A grande transformação: Dar forma a Novos Modelos”.
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