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O rio que Springsteen traz hoje a Lisboa

A actuação desta noite na capital portuguesa é a terceira data da fase europeia da The River Tour, a digressão que comemora os 35 anos de edição desse disco, o quinto do músico norte-americano.

Reuters
Tiago Freire tiagofreire@negocios.pt 19 de Maio de 2016 às 09:00
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O namoro de Bruce Springsteen com o Rock in Rio está para durar. Esta noite, actua na Bela Vista pela terceira vez nos últimos cinco anos. Depois de, em 2012, ter rebentado com a audiência com um longo e apoteótico concerto, em 2014 subiu ao palco para se juntar aos Rolling Stones numa versão do clássico "Tumbling Dice", de "Exile on Main Street", disco de 1972 dos britânicos.

 

E se, nesse espectáculo de 2012, os portugueses puderam viver uma verdadeira súmula de êxitos e temas de todas as fases da carreira de Springsteen, esta noite a coisa promete ser diferente. Esta é a terceira data da fase europeia da The River Tour, digressão que comemora os 35 anos de edição desse disco (de Outubro de 1980), o quinto do músico norte-americano.

 

Na génese desta digressão está "The Ties that Bind", o nome de um dos temas de "The River" e que serviu de mote à reedição, cheia de extras, desse disco.

 

"The River" foi, provavelmente, o disco do grande salto em frente para Springsteen. Fruto de várias maratonas de escrita, várias versões, vários conceitos, consumiu a paciência da sua E Street Band e da própria editora, que teve de esperar pelo disco que havia de suceder a "Darkness on the edge of town". A insatisfação do músico, o seu salto em frente, foi esse. Pegar no universo que já havia construído e expandi-lo.

À melancolia e dureza juntar a festa e a celebração do rock n’ rol. Foi também o momento em que Springsteen, adulto na idade e maduro na sua arte, quis explorar a fundo todos os temas que sempre o acompanharam, até hoje: as relações humanas, o que define um homem, o seu trabalho, a sua família, a sua comunidade.

 

O disco não é necessariamente um dos mais populares de Bruce Springsteen – as vendas colossais viriam alguns anos depois – mas é visto como um dos mais especiais e mais conseguidos. Daí que a digressão, sobretudo na sua anterior fase em solo americano, esteja assente no alinhamento de "The River", respeitando inclusivamente a ordem das músicas no disco.

No entanto, na Europa as coisas têm sido diferentes. A data no Rock in Rio Lisboa é apenas a terceira desta fase, depois de dois concertos em Espanha, que nos podem dar pistas sobre o que esperar da apresentação desta noite. Há muito "The River", mas há também outros êxitos e até algumas incertezas.

 

Em Barcelona a noite arrancou com "Badlands", em San Sebastian coube a honra a "Working on the Highway", de "Born in the USA". Em ambas as noites, o alinhamento de "The River" surge ao quarto tema, e compondo boa parte do corpo do espectáculo. Na Europa, o alinhamento não tem sido tão rígido nem respeitado necessariamente a ordem do disco.

 

Em noites feitas de mais de 30 músicas, tem havido espaço para clássicos como "Because the night", "Born to run" ou "Dancing in the dark".  Barcelona contou mesmo com uma homenagem a Prince, através de uma versão de "Purple Rain", com o concerto a terminar com "Twist and shout"; já no estádio Anoeta o final foi protagonizado por "This Hardland".

 

Com um gigantesco manancial de canções na sua guitarra, e em concertos a roçar as três horas, há sempre a possibilidade de surpreender no alinhamento, para além da esperada atenção que será dada a "The River". Uma coisa não será surpresa esta noite: casa cheia, uma banda galáctica e um homem de 66 anos que continua a rockar como sempre.

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