Zona Euro Eleições na Irlanda: O "tigre" voltou a rugir mas pode mudar de domador

Eleições na Irlanda: O "tigre" voltou a rugir mas pode mudar de domador

Foi o segundo Estado do euro resgatado. No ano passado terá sido um dos países que mais cresceram em todo o mundo. Hoje a Irlanda vai a votos. As sondagens dão a vitória ao partido de Enda Kenny, mas não garantem a continuidade da actual coligação de governo.
Eleições na Irlanda: O "tigre" voltou a rugir mas pode mudar de domador
Reuters
Eva Gaspar João Maltez 25 de fevereiro de 2016 às 22:30

Foi com estrondo que o "tigre celta" caiu prostrado em Novembro de 2010, depois de ter sido "o" exemplo de sucesso da convivência das pequenas economias abertas com o euro. Seis meses depois da Grécia, a Irlanda convertia-se no segundo país a pedir um resgate aos parceiros europeus e ao FMI: 67 mil milhões de euros, quase metade  destinado a cobrir perdas dos bancos a quem desavidamente o Governo  de Brian Cowen, do Fainna Fáil, dera uma garantia pública quase ilimitada.

Cinco anos volvidos, o "tigre" está de pé, ruge forte – e vai hoje a eleições. As sondagens sugerem, todavia, que os irlandeses poderão não retribuir nas urnas esse "renascimento" e forçar uma mudança na condução política do país, ao apontarem para a probabilidade de, à semelhança de Portugal e de Espanha, também esta ilha de 4,5 milhões de habitantes entrar num limbo político.

Todos os estudos dão a vitória ao Fine Gael, o partido do primeiro-ministro democrata-cristão Enda Kenny, mas o parceiro socialista, com quem governa desde 2011, estará à beira de sofrer um desaire eleitoral. As projecções feitas a partir das sondagens mais recentes indicam que, juntos, poderão ficar mais de dez lugares aquém dos 80 necessários no Dáil, a câmara baixa do parlamento, para poderem retomar imediatamente o poder. Uma grande coligação com os conservadores ou a alargada a pequenos novos partidos são soluções que a aritmética permite, mas que, por ora, ninguém admite.

"Exorto as pessoas a tomar uma decisão  de cabeça fria e eleger o único governo que tem credibilidade e provas dadas de que pode manter a recuperação em curso e levá-la a casa de cada um de vós", apela o primeiro-ministro.

Segundo as últimas previsões da Comissão Europeia, em 2015 a Irlanda terá crescido  6,9% (possivelmente só a China terá feito melhor) e crescerá 4,5% neste ano; o desemprego caiu para níveis pré-crise (9,4%); a dívida pública desceu do pico de 120% para 98% do PIB;  o défice orçamental deverá baixar neste ano para 1,3% e acomodará novas descidas de impostos e um crescimento dos gastos públicos que valem 0,7% do PIB.

Aos apelos de Enda Kenny a oposição tem respondido que o governo faz uma "campanha de medo", sublinhando que muitos dos novos postos de trabalho são precários e mal pagos, que as desigualdades aumentaram, apontando o dedo aos bairros vazios ou inacabados que teimam em não deixar esquecer os anos do crédito fácil e o boom imobiliário. É esse lastro que explica que a Irlanda seja ainda hoje um dos países do euro onde é mais elevada percentagem do crédito mal-parado: 20%. 




Tome Nota Que medidas prometem os quatro maiores partidos irlandeses FINE GAEL
O Partido no poder quer fundo contra crises
O partido de Enda Kenny, primeiro-ministro da Irlanda, chega à recta final para as eleições desta sexta-feira a liderar as sondagens. O Fine Gael, de inspiração democrata-cristã, aposta em voltar ao poder, embora a reedição da coligação com os trabalhistas se afigure difícil, devido ao trambolhão que estes sofreram na sua popularidade. Aposta no regresso dos milhares de jovens emigrantes que saíram durante a crise dos últimos quatro anos; quer criar um fundo de quatro mil milhões de euros para precaver futuras crises; e pretende introduzir uma taxa de 5 % sobre os rendimentos acima dos 100 mil euros.

PARTIDO TRABALHISTA IRLANDÊS (LABOUR)
"Labour" aposta em dívida nos 75% do PIB
Há cinco anos registaram uma votação histórica que lhes permitiu chegar ao poder, em coligação com o Fine Gail, de Enda Kenny. Desde então, a queda nas intenções de voto tem sido sustentada, pelo que os trabalhistas de Joan Burton poderão não ter um resultado suficiente para reeditar a coligação com os democratas-cristãos. O partido chegou ao mês das eleições com apenas 7% das intenções de voto. Entre as medidas que o Labour defende no seu programa eleitoral estão a redução da dívida nacional a 75% do PIB até 2021 [em 2015 terminou nos 103,2%]; o aumento do abono de família; e a aplicação de um imposto sobre os refrigerantes e bebidas açucaradas.

FIANNA FÁIL
Conservadores querem  emprego ao nível de 2007
Arredado do poder em 2011, depois de 14 anos à frente do Governo, o partido conservador Fianna Fáil, liderado por Micheál Martin, volta a ganhar alguma simpatia entre os eleitores irlandeses, surgindo como a segunda força política nas intenções de voto mais recentes. Há quem admite que pode estar na calha um Governo de centro direita (coligação Fianna Fáil com o Fine Gail de Enda Kenny). Apresenta como principais bandeiras neste escrutínio a manutenção da taxa de IRC em 12,5%; a redução do desemprego; e a criação de um fundo financeiro que responda a futuras crises globais.

SINN FÉIN
Esquerda republicana quer 250 mil empregos
Nas eleições de 2011, o Sinn Féin de Gerry Adams não foi além de 10% dos votos. Nas projecções que antecedem o escrutínio desta sexta-feira quase duplica a votação, disputando o segundo lugar com os conservadores do Fianna Fáil. Partido de esquerda republicano, o Sinn Féin apresenta-se às urnas com a promessa de criar 250 mil empregos nos próximos cinco anos; quer aliviar a carga fiscal sobre os trabalhadores independentes; pretende criar um imposto suplementar de 7% sobre rendimentos a partir dos 100 mil euros; assume também a manutenção do valor do imposto sobre os lucros das empresas (IRC) nos de 12,5 %.



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