Mundo Obiang: Guiné Equatorial vai criar centro de estudos de expressão portuguesa

Obiang: Guiné Equatorial vai criar centro de estudos de expressão portuguesa

A Guiné Equatorial vai ter, no próximo ano, um centro de estudos multidisciplinares de expressão portuguesa dedicado à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, organização em que entrou esta quarta-feira, anunciou em Díli o Presidente, Teodoro Obiang Nguema.
Lusa 23 de julho de 2014 às 14:34

"O governo da Guiné Equatorial acaba de aprovar a criação de um centro de estudos multidisciplinares de expressão portuguesa dedicado aos países da CPLP, cujas portas se abrirão ao público no ano escolar de 2015", disse Teodoro Obiang durante a sua intervenção numa sessão fechada, na X conferência de chefes de Estado e de Governo da CPLP, que hoje aprovou em Díli a adesão de Malabo como membro de pleno direito.

 

Obiang pediu o apoio aos restantes países da organização "para o fomento e divulgação do português mediante a concessão de bolsas, criação de centros culturais de expressão portuguesa, apoio técnico e financeiro ao ensino do português com envio de professores e material didáctico".

 

O desenvolvimento das trocas comerciais e de investimento são outras propostas de Malabo para "consolidar esta integração".

 

Uma das condições impostas anteriormente pela CPLP para a entrada da Guiné Equatorial era a promoção do português e, nesse sentido, Teodoro Obiang recordou que o seu Governo aprovou, através da lei número 6/2011, "a língua portuguesa como idioma oficial da Guiné Equatorial" e está a tomar "as medidas necessárias para o seu ensino nas escolas oficiais e para o seu uso nas escolas oficiais e nos meios de comunicação do país".

 

Guiné Equatorial sofre de "orfandade cultural" 

 

Na mesma ocasião, Teodoro Obiang afirmou que a Guiné Equatorial "sofre claramente de orfandade cultural", por ser o único país hispânico de África, e sublinhou a sua proximidade a Portugal, "por razões históricas e linguísticas".

 

"Sendo a Guiné Equatorial o único país de fala hispânica em África, sofre claramente de uma orfandade cultural, que é uma realidade do colonialismo", declarou o chefe de Estado equato-guineense.

 

O Presidente, que leu uma declaração escrita em português, reconheceu que no seu país não se fala português "com fluidez" e afirmou que o objetivo não é substituir o espanhol, a língua mais falada na Guiné Equatorial.

 

"Cremos que nosso país deve integrar-se na comunidade de países de fala portuguesa na África, uma vez que estes constituem um grande espaço geopolítico com o qual devemos nos unir"[sic], disse Obiang, que tem aprendido português com um professor brasileiro.

 

O chefe de Estado equato-guineense salientou que "por razões históricas e linguísticas", o seu país "está muito próximo de Portugal, país exportador da língua que une os Estados desta comunidade".

 

"Ainda hoje há muitas reminiscências culturais e económicas da presença portuguesa na Guiné Equatorial: dialetos, frases, costumes e usos, além de nomes de raiz portuguesa em edificações", referiu.

 

Teodoro Obiang recordou também as ligações históricas com Lisboa, descrevendo que o país esteve sob soberania portuguesa durante 300 anos, desde o descobrimento da ilha de Fernão Pó, em 1472, até à transferência dos territórios para Espanha, de acordo com tratados assinados em 1778 e 1779. A ilha de Fernão Pó é a atual Bioko, onde se encontra a capital do país, Malabo.

 

O Presidente apontou ainda a proximidade da Guiné Equatorial e São Tomé e Príncipe, países entre os quais se registou "um forte movimento migratório de populações".




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