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OCDE prevê recessão mais profunda, derrapagem no défice nominal e dívida acima de 130%

Os cálculos da organização sedeada em Paris apontam para um horizonte mais sombrio para a Zona Euro e Portugal, podendo comprometer os cenários usados pelo Governo e troika no ajustamento português.

OCDE
Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 29 de Maio de 2013 às 10:00
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A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) reviu esta quarta-feira em baixa as suas previsões para o andamento da economia portuguesa, antecipando uma recessão mais profunda, com uma contracção do PIB de 2,7%, que compara com a queda de 2,3% que resulta mais recente previsão do Governo e da troika. Para 2014, a OCDE antecipa uma recuperação marginal da economia portuguesa, de 0,2%, também mais modesta do que a progressão do PIB de 0,6% prevista por Governo e troika. Quanto à inversão de ciclo, esta poderá chegar apenas no próximo ano, com a OCDE a prever que o último trimestre de 2013 seja ainda negativo, com uma retracção homóloga do Produto de 0,9%.

 

Estes números estão inscritos no novo quadro de previsões macroeconómicas divulgado nesta quarta-feira, 29 de Maio, no qual a organização sedeada em Paris duplica para -0,6% a previsão de queda do PIB para o conjunto dos países do euro.

 

A previsão de menor crescimento em Portugal – que será o segundo país do mundo desenvolvido a apresentar neste ano o pior desempenho, depois da Grécia, em boa medida devido à contracção no consumo privado (-4%, a segunda maior da OCDE), mas também do investimento (-10,6%, na maior entre os países da organização) – é acompanhada de uma previsão de inflação nula e de números ligeiramente mais pessimistas para o desemprego: 18,2% neste ano (previsão igual à do Governo e troika) e 18,6% (uma décima acima) em 2014.

 

O maior impacto desta revisão em baixa do PIB é na consolidação orçamental, com a OCDE a antecipar que o défice nominal feche o ano no equivalente a 6,4% do PIB e persista em 5,6% em 2014, em ambos os casos bem acima das metas prometidas pelo Governo de 5,5% e 4% do PIB, respectivamente. Em termos estruturais – indicador que tem sido crescentemente privilegiado em Bruxelas para aferir os esforços de consolidação orçamental – as previsões da OCDE batem, porém, certo com as da troika e Governo: 2,1% e 1,6% do PIB em 2013 e 2014, respectivamente.

 

É na dívida pública que os números acabam por surgir mais desalinhados, antecipando a OCDE que o rácio atinga 127,7% do PIB neste ano e suba para 132,1% em 2014, bem acima da previsão da troika de 123,7%.

 

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