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Gurría diz que “Portugal é um dos países reformadores por excelência”

O secretário-geral da OCDE desmultiplicou-se em elogios para com a capacidade reformista portuguesa que “agora começa a dar frutos”. Angel Gurría avisa, no entanto, Portugal deve continuar “com programa reformista”.

David Santiago dsantiago@negocios.pt 27 de Outubro de 2014 às 11:14
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Ladeado pela ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, o secretário-geral da OCDE, o mexicano Angel Gurría, não poupou elogios aos progressos alcançados pelas reformas estruturais empreendidas por Portugal.

 

No âmbito do "OCDE Economic Survey of Portugal 2014", Gurría elogiou, esta manhã, a "consolidação das contas públicas", para o que contribuiu a "consolidação orçamental" e a capacidade reformista revelada por Portugal que, acredita, "agora começa a dar frutos".

 

Depois de recordar que em Portugal, "há dois anos estava em dúvida não o preço, mas o acesso aos mercados", Gurría destacou "os resultados das exportações [portuguesas] que têm melhorado de forma notável".

 

Para conseguir estes bons resultados, o secretário-geral da OCDE sublinhou a conjugação "da melhor coordenação política do Banco Central Europeu (BCE), da União Europeia e da Comissão Europeia", com a capacidade reformista demonstrada pelo país, o que faz de Portugal "um dos reformadores por excelência da OCDE", elogiou.

 

O mexicano manteve ao longo da sua exposição um tom lisonjeador para com os esforços prosseguidos pelo governo português. Primeiro realçou que Portugal "subiu 15 posições entre os países da OCDE no que respeita à regulamentação dos mercados de produto", para depois assegurar que "estas reformas já envidadas irão aumentar o PIB de Portugal em mais de 3%, em termos acumulados, até ao ano de 2020".

 

"Esta é uma grande conquista", destacou Angel Gurría.

 

OCDE reconhece que "é preciso um crescimento mais robusto"

 

Apesar dos méritos dos resultados alcançados pelo Estado português, na perspectiva da OCDE o crescimento do PIB mostra-se insuficiente, especialmente se analisado sob uma perspectiva que tenha em conta a necessidade  de elevar os níveis de emprego.

 

"É preciso um crescimento mais robusto, para gerar mais emprego. As melhorias na competitividade e produtividade serão cruciais, especialmente para aumentar os salários. O aumento da produtividade é crucial para aumentar os salários, sem pôr em causa a competitividade", explicou Gurría.  

 

O mexicano acentuou os elogios aos "progressos extraordinários", mas alertou que estes devem servir para "evitar as armadilhas do passado e continuar com o programa reformista".

 

Assim, a OCDE recomenda para que Portugal "não reverta as recentes reformas" e no caso de "o crescimento abrandar" recorrer à utilização dos mecanismos automáticos da economia. A OCDE estima que Portugal cresça 0,8% em 2014 e 1,3% em 2015, previsões que ficam acima das estimativas do Governo que prevê um avanço do PIB de 1,5% em 2015.

 

Nesse sentido, recomenda ainda que Portugal faça "ainda mais para aumentar as competências" dos trabalhadores. Angel Gurría adiantou também que "a OCDE encontra-se a trabalhar em prol de uma estratégia para aumentar as competências em Portugal.

 

A OCDE demonstrou alguma apreensão relativamente à faixa mais vulnerável da população portuguesa e alerta para a necessidade de proteger mais estas pessoas, até porque Portugal "tem uma das distribuições de rendimento mais desigual da Europa".

 

"Será necessário fazer mais para proteger a população mais vulnerável", avisou Gurría que elogiou as alterações ao regime fiscal que tornaram "o sistema fiscal mais progressivo". Contudo, a OCDE avisa que são necessários "sistemas que protejam os mais vulneráveis, mas que não desincentivem a procura de trabalho".

 

Os bancos não são problema para Portugal

 

No entender do secretário-geral da OCDE, "em Portugal a questão dos bancos não é uma questão". Trata-se de um assunto que "está debaixo de controlo", considera Gurría.

 

Após considerar que a análise do BCE aos bancos portugueses mostrou que o sector está no caminho correcto, Angel Gurría afirmou que "o caso famoso do BES" não terá "um efeito sistémico nem fiscal importante".

 

Já o acesso ao crédito continua a ser uma importante condicionante para a economia nacional, nomeadamente para as empresas, no entanto a OCDE refere que este é um problema essencialmente europeu.

 

"As empresas em Portugal lutam para conseguir ter acesso ao crédito que continua a ser escasso e caro em comparação a outros países europeus", nota Gurría antes de reconhecer que "o problema do crédito é um problema de toda a Europa".

 

Tendo em conta a interdependência no seio da Zona Euro, o secretário-geral da OCDE garante que "Portugal não pode sair sozinho, sem ajuda dos outros países e instituições [europeias], do problema do crédito na Europa". 

 

(Notícia actualizada às 11h43 com mais informação)

 

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