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ONU: Medidas de austeridade afectam mulheres portuguesas

O Comité sobre Eliminação da Discriminação contra as Mulheres (CEDAW, na sigla em inglês) da ONU, alertou hoje, na apresentação das suas conclusões finais, para o impacto negativo nas mulheres portuguesas das medidas de austeridade.

Lusa 20 de Novembro de 2015 às 16:27
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No relatório apresentado esta sexta-feira, o comité apontou que "as medidas tomadas pelo Estado no âmbito dos acordos de resgate com as instituições da União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI) têm um impacto negativo e desproporcionado sobre vários aspectos da vida das mulheres".

 

O comité recordou que, apesar das dificuldades económicas, Portugal deve tomar medidas para respeitar os direitos humanos das mulheres e garantir a protecção das mulheres em situações mais vulneráveis.

 

Apelou ainda à realização de um estudo para avaliar as consequências das medidas de austeridade bem como um plano para reduzir os seus efeitos negativos.

 

Actualmente, a taxa de desemprego nas mulheres ainda continua a ser particularmente elevada, de acordo com o comité.

 

Segundo informação do CEDAW, as medidas de austeridade afectaram as actividades de organizações não-governamentais que trabalham em áreas do direito da mulher.

 

No documento, o comité manifestou, entre outros, a sua preocupação pela situação das mulheres ciganas, as condições rigorosas na legislação sobre o aborto e a falta de promoção para a participação das mulheres na vida política e pública.

 

Nesta 62.ª sessão do CEDAW, a situação das mulheres em Portugal foi examinada junto aos Emirados Árabes Unidos, Eslovénia, Eslováquia, Líbano, Libéria, Madagáscar, Malauí, Rússia, Uzbequistão e Timor-Leste.

 

O comité é composto por 23 membros, presididos pela advogada japonesa Yoko Hayashi.

 

A Convenção sobre a Eliminação de todas as formas de Discriminação contra as Mulheres foi adoptada em 1979, entrou em vigor em 1981 e hoje tem 189 Estados signatários.

 

Ao ratificar a Convenção, os Estados comprometem-se a incluir na sua Constituição ou legislação o princípio da igualdade entre homens e mulheres e a adoptar medidas legislativas e outras, incluindo sanções, com o objectivo de proibir qualquer tipo de discriminação contra as mulheres.

 

A próxima avaliação de Portugal terá lugar em Novembro de 2019.

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