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Orçamento de Centeno passa em Bruxelas, reestruturação da dívida não

Só na próxima semana será conhecido o veredicto final. Mas Bruxelas renovou indicações de que aceitará a proposta de Orçamento. Já sobre o pedido de Centeno de reestruturação da dívida, não houve abertura.

Reuters
Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 07 de Novembro de 2016 às 21:13
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Não discutimos, nem vamos discutir ." A resposta assertiva de Jeroen Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo, surgiu depois de jornalistas portugueses o terem confrontado com declarações recentes de Mário Centeno que, na Assembleia da República, admitiu pela primeira vez que Portugal precisará de uma renegociação das taxas de juro associadas aos empréstimos europeus feitos ao Estado português, que acumula uma dívida superior a 130% do PIB.

"Não discutimos, nem vamos discutir porque Portugal é capaz de gerir a sua dívida. E não estamos certos que assim seja no caso da Grécia, é essa a grande diferença. Não vamos confundir", insistiu, no final do encontro mensal dos ministros das Finanças da Zona Euro (Eurogrupo),  onde voltou a ser abordada a possibilidade de voltar a conceder condições mais vantajosas para Atenas reembolsar os três empréstimos já concedidos pela Europa, e que explicam uma dívida próxima dos 200% do PIB.  

Mário Centeno disse em Lisboa que "é necessário que Portugal tenha uma redução da taxa de juro que paga sobre o seu endividamento. Essa discussão é uma discussão que apenas pode ser tida no contexto europeu." Falando no Parlamento, aquando da discussão, na generalidade, da proposta de Orçamento do Estado para 2017, o ministro disse que o Governo está disposto a ter essa discussão e que tem feito por isso no plano europeu, tendo sido elogiado pelo Bloco de Esquerda. Ontem, escreve a Lusa, Centeno escusou-se a prestar declarações aos jornalistas, apenas devendo fazê-lo depois da audição na qual participará nesta terça-feira ao final da tarde no Parlamento Europeu, em Bruxelas, no quadro do "diálogo estruturado" sobre o processo de possível suspensão de fundos a Portugal e Espanha devido ao défice excessivo de 2015.  

Ao contrário da dívida, nesta vertente as negociações europeias parecem estar bem encaminhadas.  O comissário dos Assuntos Económicos  disse que Bruxelas ainda está a analisar os esclarecimentos enviados por Portugal, e outros seis países, sobre os planos orçamentais para 2017 e que a decisão final será conhecida em 16 de Novembro. Mas deu indicações de que a resposta de Bruxelas será satisfatória, o que permitirá levantar o risco de sanções. Falando igualmente na conferência de imprensa no final da reunião do Eurogrupo, Pierre Moscovici sublinhou, citado pela Lusa, que os dados adicionais foram apenas pedidos para se "assegurar" de que a proposta de OE respeita as regras, como parecia ser após a análise preliminar.
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