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Os imigrantes são os mais atingidos pela crise. Mas também são os que mais depressa recuperam

A crise económica e o seu impacto no mercado de trabalho afecta mais os trabalhadores imigrantes que os portugueses. No entanto, são também os imigrantes os trabalhadores que mais depressa conseguem recuperar dos efeitos negativos da crise.

Ricardo Castelo/Negócios
Liliana Borges LilianaBorges@negocios.pt 18 de Dezembro de 2015 às 22:00
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Os trabalhadores estrangeiros são os mais flexíveis e adaptáveis ao mercado do trabalho, conclui um estudo apresentado esta sexta-feira, 18 de Dezembro.

De acordo com o estudo "O impacto da Crise Económica sobre as Condições de Vida e Dinâmica de Inserção Laboral dos Imigrantes em Portugal", a taxa de desemprego é muito diferenciada entre os cidadãos estrangeiros e nacionais, apresentando os primeiros valores sistematicamente mais altos.

Em 2014, os valores do desemprego eram de 22,3% para os cidadãos estrangeiros e 13,7% para os portugueses. Os trabalhadores mais recentes no país apresentam taxas mais baixas comparativamente aos mais antigos, pois são frequentemente menos exigentes quanto às condições contratuais e laborais.

A mesma conclusão apresenta um segundo estudo, que olha para os "Imigrantes desempregados em Portugal e os desafios das políticas activas de emprego" e sublinha "a trajectória de rotação entre empregos precários e pouco qualificados que caracteriza, em larga medida, as experiencias de trabalho dos imigrantes".

O aumento do desemprego, sobretudo entre 2008 e 2013 foi muito mais acentuado entre os estrangeiros do que entre os portugueses. Não obstante, quando no último ano esta taxa reduziu. A redução foi também maior para os estrangeiros, o que permite concluir que os imigrantes são os mais reactivos às variações na taxa de desemprego.

De 2007 para 2012, por exemplo, o desemprego subiu para mais de o dobro nos imigrantes, de 19.511 para 41.5126. Já entre 2012 e 2014, o desemprego desceu para 27.315, o que mostra a acentuada redução.

"A maior presença de trabalho imigrante em sectores mais afectados pela crise e a existência de vínculos contratuais mais frágeis tornam o emprego desta população mais facilmente ajustável, com reflexos na variação e no volume do desemprego", cita o estudo.

"Por outro lado, a mobilidade característica desta população, sobretudo das últimas vagas de imigrantes para Portugal, tornam-na também mais rapidamente ajustável as oportunidades de emprego que o mercado de trabalho oferece", clarifica Ana Cláudia Valente, investigadora e responsável pela coordenação do projecto do qual resulta o estudo.

Entre os inquiridos, 36% responderam que, desde que chegaram a Portugal, já passaram mais tempo empregados do que desempregados e 19% dizem o oposto. Ainda que ténue a diferença, é maior a percentagem de trabalhadores estrangeiros que estiveram sempre, ou quase sempre empregados (18%) do que os que responderam ter estado sempre ou quase sempre desempregados (17%). Já os restantes 10% dizem ter passado tanto tempo empregados como o tempo em que estiveram sem trabalho.

Destaca-se a generalidade do positivismo dos inquiridos em relação à procura de emprego, com a maioria a responder que pretende manter-se em Portugal.

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