Economia Daniel Bessa: Para crescer 3% Portugal precisa de mais três indústrias do calçado por ano

Daniel Bessa: Para crescer 3% Portugal precisa de mais três indústrias do calçado por ano

Daniel Bessa "receia" que o caminho da economia passe a estar no futuro menos ligado a capital estrangeiro e grandes empresas. Terão de ser muitas as pequenas e médias empresas para atingir o crescimento proposto.
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Isabel Aveiro 25 de março de 2014 às 13:59

"Os surtos de crescimento da economia portuguesa" (nos anos 60 e 80) estiveram ligados a "capital estrangeiro e a algumas grandes empresas que entraram no nosso país" no passado, recordou esta terça-feira Daniel Bessa, durante o congresso da APED - Associação Português de Empresas de Distribuição, que até amanhã decorre em Lisboa.

 

"Eu acho que o ciclo que vamos ter não vai ter essas grandes empresas, criadas por investidores estrangeiros e que mudaram acentuadamente perfil da economia". "Eu gostava que tivesse", assumiu, mas tal dificilmente vai acontecer, defendeu. "De futuro, "não vai haver grandes empresas. Receio que não se possa ir por aí", disse. "E isso assusta-me", reconheceu. 

 

O caminho da economia portuguesa "será feito por muitas e pequenas e médias empresas". Porque para a economia do País crescer 3% ao ano, contextualizou o economista e líder da COTEC "eu preciso de três indústrias de calçado por ano de crescimento". Explicou as contas: crescer 3% são cinco mil milhões de euros a mais que a economia portuguesa tem que gerar - e "numa primeira fase tem que ser de exportação" - a indústria do calçado toda junta exporta 1,8 mil milhões de euros actualmente.

 

Já se a análise comparativa for feita num universo mais polarizado, como o da área das

De futuro, "não vai haver grandes empresas. Receio que não se possa ir por aí. "E isso assusta-me
 
Daniel Bessa

tecnologias, são precisas umas "100 empresas" como a Enabler ou a WeDo, por exemplo, "por ano", explicou. 

 

Os combustíveis "resolveram pouco o problema das exportações, com todo o respeito", adiantou Daniel Bessa, num painel que teve também com oradores Vítor Bento e Esmeralda Dourado. Porque o "efeito de valor acrescentado é muito menor". Melhor, defendeu, esteve a pasta e o papel, como a Portucel Soporcel, que têm maior valor acrescentado.

 

Daniel Bessa defende então que "vai ser muito difícil ter uma política pública dirigida a sectores de actividade", específicos. "Nós precisamos é de uma política que facilite o crescimento em todos os sectores e que não contrarie, porque há coisas absurdas, como o Estado ter um sistema de incentivos fiscais que serve para uma série de áreas menos a saúde".

 

"Acredito muito no trabalho das empresas, das pequenas associações sectoriais", afirmou ainda. E voltou ao calçado, para defender que por detrás do sucesso do sector está a APICCAPS - Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos, assim como o próprio Estado. "Se não fosse a APICCAPS não haveria indústria do calçado neste País", mas também, "não haveria sector do calçado em Portugal sem apoios públicos a essa indústria", reconheceu momentos depois.




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