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Para os mercados Passos e Costa são praticamente indiferentes

Juros da dívida portuguesa deverão estar imunes ao resultado das eleições de domingo. O compromisso de ambos com uma estratégia de contenção orçamental é bem vista pelos analistas e agências de notação de risco.

Pedro Passos Coelho: Quando tomou posse, preferiu continuar a viver em Massamá, em vez de se mudar para o Palácio de São Bento, a residência oficial do primeiro-ministro. Pedro Passos Coelho reside no concelho de Sintra há 20 anos, acompanhado pela sua mulher Laura Ferreira e pelas suas filhas. 'Vivo muito bem em Massamá, onde estamos mais próximos dos meus sogros e da área de trabalho da minha mulher', confessou numa recente entrevista ao Sol.

António Costa: Pedro Passos Coelho e António Costa são rivais no mundo da política, estando a lutar pelo próximo mandato como primeiro-ministro. Mas há uma ligação comum: são vizinhos em Sintra. É aqui, mais concretamente em Fontanelas, que o líder do PS vive.
Bruno Simão/Negócios
Negócios com Bloomberg 28 de Setembro de 2015 às 11:15
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Analistas e agências de "rating" concordam numa coisa sobre as eleições do próximo domingo: vença a coligação Portugal à Frente (PàF) ou o PS, os juros da dívida pública portuguesa não deverão ser afectados, visto que embora com ligeiras diferenças, ambas as forças políticas se comprometem com uma trajectória de disciplina orçamental e continuidade das políticas económicas.

"Ambos os partidos continuam a pregar a disciplina orçamental" diz à agência Bloomberg Colin Bermingham, analista do BNP Paribas em Londres, para quem este ponto "limita o potencial de um resultado [eleitoral] adverso", lê-se num artigo publicado no dia 28 de Setembro com o título "investidores em obrigações ganham, independentemente de quem perder as eleições portuguesas". 

"Para os mercados, a inexistência de movimentos anti-austeridade em Portugal deverá significar menos risco e menor probabilidade de descontinuidade de políticas", comenta por seu lado Peter Goves, analista do Citigroup em Londres, o que contrapõe com os exemplos do Syriza na Grécia ou do Podemos em Espanha.

No artigo o programa do PS é descrito como pretendendo reduzir o défice orçamental "a um ritmo ligeiramente mais lento" que o da coligação, prevendo uma reversão mais rápida  dos cortes salariais na função pública e da eliminação da sobretaxa de IRS. O texto revela ainda os resultados de um questionário da agência a 8 economistas sobre perspectivas de evolução para os juros da dívida portuguesa.

As respostas evidenciam a forma quase indiferenciada como Passos Coelho e António Costa são vistos pelos analistas. Se a coligação PàF vencer, a expectativa é que a taxa de juro da dívida pública a 10 anos ronde os 2,5% no final de Outubro. Se Costa vencer, o valor pode ser de 2,55%. Três dos oito inquiridos acham que não haverá diferença.

A solidificar esta percepção nos mercados estão as recentes intervenções das agências de "rating". A S&P que este mês aumentou a notação de risco da dívida portuguesa em um degrau, para "BB+" – deixando-a um degrau de nível de investimento – escreveu que "esperamos uma continuação de políticas independentemente do resultado das eleições legislativas".

Na sexta-feira, 25 de Setembro, a Fitch reafirmou a notação da dívida nacional em "BB+", com perspectiva positiva e escreveu quase o mesmo: "não esperamos mudanças significativas na direcção da política económica ou orçamental depois das eleições", lê-se na nota da agência de notação de risco.

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