União Europeia Paris quer suspensão das regras de disciplina orçamental também em 2021

Paris quer suspensão das regras de disciplina orçamental também em 2021

O ministro da Economia francês considerou que "a Europa não pode ser construída apenas com base nos interesses nacionais, mas apenas com a solidariedade".
Paris quer suspensão das regras de disciplina orçamental também em 2021
EPA
Lusa 21 de maio de 2020 às 22:36
Paris quer que as regras de disciplina orçamental entre membros da União Europeia (UE), suspensas este ano devido à pandemia de covid-19, também sejam suspensas em 2021, declarou o ministro da Economia francês, Bruno Le Maire, ao Le Figaro.

"Queremos que as regras do Pacto de Estabilidade, suspensas em 2020, também sejam suspensas em 2021", disse Le Maire nesta entrevista publicada esta quinta-feira ao final do diapelo diário francês.

"Nada seria pior do que relançar a máquina económica enquanto se pressiona os gastos públicos. Esse foi um erro cometido em 2009 e que não cometeremos de novo", acrescentou o ministro.

No entanto, o ministro não aceitou imediatamente a proposta da presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, que pediu no início da semana para "modernizar" o Pacto de Estabilidade e Crescimento e não o pôr de novo em vigor tal como estava antes da crise.

Este pacto fixa as regras orçamentais para os Estados que adotaram a moeda única europeia, em particular o cumprimento de um défice público inferior a 3% do Produto Interno Bruto (PIB) de cada país membro da zona do euro.

Em 20 de março, a União Europeia anunciou a suspensão destas regras orçamentais, uma medida sem precedentes, dadas as consequências económicas da pandemia de covid-19.

Na mesma entrevista no início da semana, Lagarde também saudou o projeto de relançamento de 500 bilhões de euros proposto na segunda-feira pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, e pela chanceler alemã, Angela Merkel, que ainda tem de receber a aprovação dos outros membros da União, dos quais alguns estão relutantes.

"A Áustria, a Holanda, a Suécia e a Dinamarca expressaram reservas. No entanto, as economias destes estados beneficiam do mercado único: é, portanto, do interesse das mesmas que a economia se revitalize em todos os parceiros na Europa", alegou Le Maire.

"Esse reinício dependerá da força do plano de estímulo. O aumento da dívida em comum é o instrumento mais barato, porque as taxas são baixas e pagaremos a dívida por um longo período, superior a 10 anos. É, portanto, a solução mais económica", acrescentou.

O ministro da Economia francês considerou que "a Europa não pode ser construída apenas com base nos interesses nacionais, mas apenas com a solidariedade".



pub

Marketing Automation certified by E-GOI