Conjuntura Passos Coelho defende que Governo não é culpado pelo aumento da dívida

Passos Coelho defende que Governo não é culpado pelo aumento da dívida

A dívida nacional atingiu os 127,2% do PIB no final do primeiro trimestre mas o primeiro-ministro considera que, daquilo que depende do Governo, não houve falhas. Contudo, um dos factores que levou ao agravamento do rácio da dívida foi a evolução da economia, que tem sido penalizada pela austeridade imposta pelo Executivo.
Passos Coelho defende que Governo não é culpado pelo aumento da dívida
Reuters
Diogo Cavaleiro 22 de julho de 2013 às 14:18

O primeiro-ministro defendeu, esta segunda-feira, que a subida da dívida nacional face ao produto interno bruto não se deveu a qualquer falha no trabalho do Governo.

 

“A dívida não tem aumentado por estarmos a contrair novas dívidas ou por estarmos a exagerar nas nossas despesas”, disse Passos Coelho aos jornalistas em Vila de Rei, depois de questionado devido ao rácio de dívida de 127,2% do PIB face ao produto interno bruto registado por Portugal no primeiro trimestre, segundo divulgou esta manhã pelo Eurostat.

 

O rácio de dívida compara a evolução da dívida em relação ao desempenho da economia do país. O valor do final de Março corresponde a um agravamento de 14,9 pontos percentuais em relação aos 112,3% do PIB que Portugal reportava um ano antes. Se a dívida tem aumentado, afirmou Passos Coelho, “não é porque o Estado não tenha tido mão na sua despesa”. “É importante que os portugueses tenham essa confiança”.

 

O primeiro-ministro enunciou três factores para que a dívida pública apresente uma tendência positiva, nomeadamente no primeiro trimestre deste ano.

 

Factor 1: Flexibilização do défice

 

O primeiro elemento enunciado pelo líder do Executivo é o facto de Portugal ter alcançado, através de negociações com a troika, a flexibilização da meta do défice orçamental para este ano, “o que, evidentemente, tem repercussão no nível de vida”.

 

O País tem de apresentar, em 2013, um défice de 5,5% do PIB, quando a meta anterior apontava para os 4,5%. Um maior défice contribui para uma maior dívida. A flexibilização para este ano, conseguida após negociações com a troika, acaba por ditar um aumento da dívida.

 

Factor 2: Contracção da economia


Em segundo lugar, o primeiro-ministro sublinha a contracção da economia. “O rácio de dívida aumenta porque o produto interno bruto nominal, com a recessão, diminuiu”, disse Passos Coelho.

 

O primeiro-ministro ressalva que o Governo não tem culpa na subida da dívida mas a evolução da economia tem sido negativa na sequência das medidas de austeridade implementadas pelo próprio Executivo, como assinalam os vários organismos que fazem cálculos relativos ao PIB português. As várias revisões em baixa para o crescimento económico têm acontecido devido a estas medidas acordadas com a troika.

 

O Banco de Portugal, no seu boletim de Verão publicado na semana passada, reviu a evolução da economia nacional para uma quase estagnação no próximo ano (crescimento de 0,3% da economia em 2014 face a 1,1% previstos anteriormente). A justificar o novo número está “o impacto da incorporação de medidas de consolidação orçamental”. “Estas medidas dão origem a uma queda muito pronunciada no volume do consumo público em 2014, uma vez que o conjunto de medidas de corte da despesa implica uma forte diminuição do número de funcionários das administrações públicas”, alerta, por exemplo, a instituição governada por Carlos Costa.

 

Factor 3: Juros pagos aumentam

 

A razão dos juros pagos por Portugal tem subido, o que também conduz a um agravamento da dívida pública na sua comparação com a evolução económica, conforme adiantou o primeiro-ministro nas respostas aos jornalistas.

 

O Governo conseguiu baixar os juros que tem de pagar pelos empréstimos externos que está a receber, mas a factura do país com o financiamento da dívida é mais elevada, devido ao valor mais elevado do "stock" da dívida. Isto apesar de a taxa de juro dos empréstimos da troika ser inferior à que Portugal pagava antes do resgate, quando se financiava nos mercados autonomamente.

 




Saber mais e Alertas
pub

Marketing Automation certified by E-GOI