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Passos Coelho: "Temos de diminuir mesmo o 'stock' da dívida"

“Temos de diminuir mesmo o ‘stock’ da dívida”, afirmou o primeiro-ministro na primeira reunião da Coligação para o Crescimento Verde. Uma ocasião para dizer que o Governo está a lançar sementes, para alertar que “temos ainda muito que fazer” e para concluir pelos benefícios de uma governação coligada.

5.º- Pedro Passos Coelho
Primeiro-ministro cai dois lugares na tabela. A negociação com a troika foi transferida para Portas.
Miguel Prado miguelprado@negocios.pt 04 de Fevereiro de 2014 às 18:38
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O mote era o "Crescimento Verde” e perante uma extensa mesa de debate com 70 convidados o primeiro-ministro começou por notar que “não se faz o crescimento sustentável por decreto”. À vista de uma plateia sensível à economia verde, Pedro Passos Coelho aproveitou o terreno fértil à sua frente e defendeu a necessidade de “lançar a semente da transformação estrutural”.

 

“Estamos à beira de concluir um plano de assistência económica e financeira que nos obrigou a um esforço extraordinariamente elevado”, afirmou Passos Coelho. Agora, sustentou o primeiro-ministro, é tempo de “lançar a semente da transformação estrutural que nos garanta um nível de crescimento diferente do verificado nas últimas décadas”.

 

A semente, no entendimento do chefe do Governo, está lançada. Mas há ainda um extenso trabalho a fazer. Passos Coelho não quer deitar a perder o trabalho já feito. “O que fizemos enquanto país foi suficientemente importante para conquistarmos credibilidade suficiente junto dos investidores internacionais para não necessitarmos de prolongar o programa de assistência”, declarou Pedro Passos Coelho na sua intervenção na primeira reunião da Coligação para o Crescimento Verde, uma iniciativa dinamizada pelo ministro do Ambiente, Jorge Moreira da Silva, envolvendo instituições públicas e privadas, para funcionar como uma plataforma de aconselhamento do Executivo.

 

O trabalho feito, defendeu Passos Coelho, não pode ficar por aqui. “Isto não significa que nos próximos anos não precisemos de nos esforçar. Temos ainda muito que fazer”, reconheceu o primeiro-ministro.

 

Temos de diminuir mesmo o 'stock' da dívida. Para isso é preciso não nos apresentarmos ao exterior como uma economia deficitária. Teremos de ter excedentes orçamentais.
 
Pedro Passos Coelho, primeiro-ministro

 

E o que há que fazer depois de plantada a semente? A resposta está na gestão da dívida pública. “Não basta ser responsável. É preciso acumular excedentes que nos permitam diminuir a dívida”, sublinhou o primeiro-ministro. “Temos de diminuir mesmo o ‘stock’ da dívida”, enfatizou o chefe do Governo. “Teremos de ter excedentes orçamentais”, acrescentou.

 

Passos Coelho deixou com clareza o seu objectivo quanto a esta matéria. “O que queremos não é reestruturar a nossa dívida, é pagá-la”, afirmou.

 

Se o discurso do primeiro-ministro procurou capitalizar o trabalho feito, Passos Coelho não deixou de admitir algumas das dificuldades que o Governo vem encontrando na prossecução dos seus objectivos. Os progressos do sistema científico, sugeriu Passos Coelho, estão aquém do desejável. “Nós durante vários anos conseguimos mais recursos para o sistema e conseguimos atrair mais bolsas, mas depois o número de patentes não aumentou”, ilustrou o governante.

 

Dizendo ser preciso “mudar a filosofia das políticas públicas”, Passos Coelho salientou que “temos de garantir que o financiamento que alocamos produz resultados”. “Temos de aprender a medir os resultados”, insistiu o primeiro-ministro.

 

Passos Coelho também não passou ao lado da economia verde propriamente dita. Lamentou as metas definidas pela Comissão Europeia no capítulo de energia e clima. “A União Europeia precisaria de manter uma maior ambição nas metas em matéria de economia verde”, avaliou o primeiro-ministro. E assegurou aos presentes que “apostar nas energias renováveis não é um erro”.

 

Com a reforma da fiscalidade verde, defendeu o primeiro-ministro, o que o Executivo pretende “não é aumentar a carga fiscal sobre a economia”. O objectivo global, indicou o primeiro-ministro, é pôr a economia a crescer. “O crescimento que queremos realizar nos próximos anos não é um fogacho de ciclo económico”, afirmou. “Podemos ter um crescimento sustentado”, disse ainda Passos Coelho.

 

Para essa sustentação, lançada que está a semente, e contando com um clima de feição do lado dos investidores internacionais, o primeiro-ministro espera conseguir agora um consenso. Leia-se “coligação”. “Estamos coligados com as forças necessárias para fazer desta estratégia uma estratégia robusta e ambiciosa”. Passos Coelho dirigia-se aos convidados da Coligação para o Crescimento Verde. Estaria também a dirigir-se, nas entrelinhas, aos restantes actores políticos do País? O próprio saberá.

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