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Passos Coelho: "Não fui eleito para defender os interesses do Syriza"

Passos Coelho recusou a ideia de que 18 países do euro (excluindo a Grécia) estejam a mando da Alemanha e que a imposição de mais austeridade seja uma prova de sobrevivência do modelo de ajustamento que tem sido seguido. E recusou que esteja contra a Grécia.

Bruno Simões brunosimoes@negocios.pt 20 de Fevereiro de 2015 às 12:28
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Passos Coelho reafirmou que a posição de Portugal, que exige um empréstimo com contrapartidas à Grécia, é consensual no Eurogrupo. Em resposta a Catarina Martins, que considerou tratar-se de uma indignidade, o primeiro-ministro acusou a líder bloquista de insultar a maioria dos parceiros do euro de Portugal. "A senhora deputada entende que, quando 18 países estão de acordo, isso é uma indignidade porque é uma submissão à Alemanha. E acha, portanto, que pode insultar 18 governos porque são subservientes e andam a mando da Alemanha". Mas isso não é bem assim, criticou.

 

O Eurogrupo é constituído pelos 19 países que têm a moeda única - quando Passos refere que 18 têm a mesma posição, isso significa que a Grécia está isolada.

 

"O seu desvelo em defender o Syriza, eu entendo. Mas eu não fui eleito para defender os interesses do Syriza, mas sim os dos portugueses", argumentou Passos Coelho. "Essa não é a minha convicção. A insinuação de que estes 18 malandros [do Eurogrupo] querem impor condições à Grécia, porque querem provar que não é possível ter alternativas de crescimento sem austeridade", e de que isso "é uma prova de sobrevivência" e que "é necessário manter programa inviável para auto-justificar" a actuação passada, "não é assim".

 

"No dia em que a Grécia demonstrar que, sem o dinheiro dos outros, consegue pôr o país a crescer", o Governo português estará de acordo. "Agora com o dinheiro dos outros, isso também eu faço, é tudo mais simples".

 

Ser eleito não permite impor condições as outros

 

Mais à frente no debate, ainda em resposta a Catarina Martins, Passos Coelho garantiu que "não houve nenhuma disposição para atacar a Grécia". "Quer que cada um de nós imponha aos outros as suas soluções apenas porque fomos eleitos? Não pode ser, e isso não é um ataque a Grécia", justificou o chefe do Governo português.

 

"Tenho o maior gosto, até faço campanha pela senhora deputada, no dia em que alguém demonstrar que é possível um país que tem dívidas não as honrar, impondo uma obrigação multilateral de ajuda financeira sem contrapartidas negociais", ironizou. "Não conheço", rematou.

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