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Passos Coelho no FT: "Portugal vai mostrar que os cépticos estão enganados" mas pode precisar de "ajuda adicional"

Primeiro-ministro, num artigo de opinião hoje publicado no jornal britânico, crê que os que não acreditam no regresso de Portugal aos mercados em 2013 estão "enganados". Mas também admite que Portugal pode precisar de um segundo plano de ajuda, pois "numa altura de incertezas, não há garantias".

Negócios negocios@negocios.pt 18 de Abril de 2012 às 03:25
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Pedro Passos Coelho escreve hoje um artigo de opinião no “Financial Times”, numa mensagem claramente destinada aos investidores, onde volta a falar sobre o regresso de Portugal aos mercados.

O primeiro-ministro confia que Portugal vai ser capaz de regressar aos mercados em 2013, mas reitera que tal desígnio não está dependente apenas dos esforços do país, pelo que admite que Portugal precise de “ajuda adicional”.

No artigo, intitulado “Portugal vai mostrar que os cépticos estão enganados”, Passos Coelho começa por afirmar que muitos analistas e comentadores têm afirmado que Portugal não conseguirá regressar aos mercados em Setembro de 2013, pelo que precisará de mais assistência financeira, através de um segundo resgate, ou num cenário mais adverso, avançar para uma reestruturação de dívida.

“Acredito que estão enganados”, responde o primeiro-ministro, mostrando confiança sobre “o plano de reformas que estamos a implementar e na capacidade de regressar aos mercados se cumprirmos” o que está previsto no acordo com a troika.

Apesar desta crença, o primeiro-ministro volta a deixar um alerta, que admite parecer “controverso”, mas de facto “não tem nada de controverso”, uma vez que “numa altura de incertezas não há garantias” e “existem tantos factores fora do nosso controlo, pelo que ninguém pode fazer previsões com certeza”.

O que Passos Coelho classifica de controverso diz respeito ao facto de Portugal precisar de um segundo pacote de assistência financeira, caso não consiga regressar aos mercados no periodo que está previsto no acordo do primeiro resgate ao país. “Estamos completamente comprometidos em cumprir as nossas obrigações”, mas “temos também que ser realistas e pragmáticos”. É por isso que “aceitamos que possamos vir a precisar de contar com o compromisso dos nossos parceiros internacionais para uma ajuda adicional, se circunstâncias fora do nosso controlo obstruírem o nosso regresso aos mercados financeiros”.

O primeiro-ministro volta assim a admitir que Portugal poderá vir a precisar de um segundo plano de assistência financeira. Isto numa altura em que os mercados voltam a mostrar nervosismo com a crise de dívida na Europa, devido à situação da Espanha.

Em entrevista no início do mês, ao alemão “Die Welt”, Passos Coelho tinha já admitido este cenário, ao afirmar que Portugal poderia não conseguir regressar ao mercado em 2013. Olli Rehn, comissário europeu, afirmou em Abril que era "aconselhável" que a União Europeia estivesse "preparada para a necessidade de construir algum tipo de ponte para o momento em que Portugal regressar aos mercados".

Restaurar a prosperidade de Portugal

Uma vez existindo os tais factores que Portugal não pode controlar, Passos Coelho garante que o compromisso do país para cumprir os termos e condições do programa de ajustamento é “firme”. E que tal “não é uma questão de escolha”, pois “durante muitos anos Portugal percorreu um caminho de irresponsabilidade”, pelo que mesmo que não existisse o programa da troika, o país teria que implementar as medidas que nele constam para assegurar o seu futuro.

Passos Coelho faz depois a defesa das reformas estruturais e medidas que o Governo aplicou e está a aplicar, considerando que estão já a produzir efeitos, exemplificando com o ganho de quota de mercado das exportações portuguesas.

Apesar de ter a consciência que as medidas de austeridade são prejudiciais para o crescimento da economia no longo prazo, o primeiro-ministro argumenta que o equilíbrio orçamental e externo é uma “pré-condição para atingir um crescimento sustentável, competitividade e criação de emprego”.

No final do seu artigo Passos repete que acredita na capacidade de Portugal regressar aos mercados em 2013, apesar de “não existirem garantias e de não podermos legislar sobre acontecimentos que estão fora do controlo do país”.

“Mas estou convencido que só vamos ter sucesso se cumprirmos no principal objectivo da reforma fundamental, que passa por restaurar a prosperidade de Portugal. É esse o fim que perseguimos”, conclui.

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