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Passos Coelho pede que não se cavem trincheiras

O presidente do PSD pediu que nesta campanha eleitoral não se cavem trincheiras que dividam o país, numa intervenção em Vila Real em que começou por cumprimentar o secretário-geral do PS que ali tinha estado há três dias.  

Correio da Manhã
Lusa 25 de Setembro de 2015 às 01:20
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"Nós temos condições hoje para voar mais alto, mas sabemos que só conseguiremos realmente atingir os nossos objectivos se não andarmos a dividir o país, se não cavarmos uma trincheira em que uns têm de perder para outros ganharem. É possível ganharmos todos em Portugal: ter um país a crescer mais, ter empresas a exportar mais, ter mais emprego e podermos todos ficar bem na fotografia", afirmou Pedro Passos Coelho na quinta-feira, num comício ao ar livre da coligação PSD/CDS-PP.

 

Antes, também o presidente do CDS-PP, Paulo Portas, tinha afirmado que "uma eleição não é uma guerra, é uma escolha", e que "uma democracia não serve para dividir uma nação", considerando que é preciso "saber pôr o interesse nacional acima do interesse partidário".

 

No seu discurso, o presidente do PSD referiu que "as campanhas tendem a acentuar as diferenças entre os partidos", mas acrescentou: "Uma coisa é darmos a nossa perspectiva, a nossa visão de futuro, o que queremos. Outra coisa é semear a divisão, é dizer: daqui ou estamos nós ou não está ninguém, e ou estão por mim ou estão contra mim. Não é assim que se constrói uma nação próspera".

 

Neste comício ao ar livre havia centenas de pessoas espalhadas pelo Largo da Capela Nova, em Vila Real, mas sem a mobilização de há quatro anos, que encheu completamente este espaço e se estendeu para lá da Rua Serpa Pinto. Na assistência, estava o pai do presidente do PSD, António Passos Coelho.

 

O presidente do CDS-PP, Paulo Portas, apontou Passos Coelho como "o mais confiável, o mais credível" candidato a primeiro-ministro "e aquele que provou, no quadro desta coligação, ter confiança externa e interna para poder levar o barco a bom porto". Antes de sair do palco, declarou: "O relógio tem as suas leis e estamos na terra que viu crescer o primeiro-ministro, e eu vou-lhe já passar a palavra".

 

O presidente do PSD, por sua vez, optou por dirigir-se em primeiro lugar ao seu adversário António Costa: "Quero cumprimentar o líder do PS, que aqui esteve neste mesmo largo. Não levam a mal que eu cumprimente os meus adversários". "Ele esteve aqui há alguns dias em Vila Real, esteve com certeza a apresentar as suas razões, a tentar falar ao país. Nós hoje vamos fazer o mesmo", completou.

 

Depois de hoje ao almoço se ter declarado disponível para compromissos com todos partidos com assento parlamentar, hoje à noite Passos Coelho fez um discurso em tom cordial, afirmando querer "puxar o país para cima" e "chamar todo o país a mobilizar-se para os próximos anos" para quebrar com o "ciclo vicioso" de resgates externos.

 

A excepção foi para criticar os políticos que "ficam sempre com uma azia enorme cada vez que há bons resultados em Portugal". No mesmo sentido, Portas tinha lamentado que haja "quem fique triste com as boas notícias para Portugal".

 

Passos alegou que a coligação PSD/CDS-PP está a ganhar apoios, dizendo que "todos os dias crescem aqueles que se vão desinibindo e que vão mostrando que não tem nada de errado estar de acordo e apoiar aquilo que deu certo nestes anos", quando antes "as pessoas às vezes pareciam que se encolhiam".

 

Apesar do apelo ao diálogo, defendeu que é preciso "que os próximos governantes e que o próximo Governo não andem preocupados com arranjos de partidos para ver se o Governo dura e se o Governo governa".

 

No final do seu discurso, manifestou-se convencido de que PSD e CDS-PP conseguirão na sexta-feira "reunir talvez em Santa Maria da Feira o número de apoios para levar para a frente esta campanha" e darão "um tiro de partida muito sério para a última semana de campanha e para dar a Portugal uma grande vitória".

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