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Passos Coelho: "Não podemos cair num pessimismo excessivo" (act2)

Primeiro-ministro tem poucas dúvidas no sucesso do programa de ajustamento de Portugal no futuro, mas reconhece que o caminho até esse dia chegar é difícil, pedindo, por isso, flexibilidade aos portugueses. Apelou também aos portugueses para não caírem num "pessimismo excessivo" apesar da actual situação do País.

Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 14 de Novembro de 2012 às 11:55
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O primeiro-ministro, numa visita à renovada fábrica da Sicasal, utilizou a situação da fábrica de salsichas para fazer uma analogia com o que se passa no País, que passa por um momento difícil, mas irá recuperar.

“Se quisermos aplicar o melhor de nós para resolver” os problemas de Portugal, “não podemos cair num pessimismo excessivo. Temos de ser suficientemente optimistas”, para saber que com o rumo que levamos os problemas do país serão resolvidos, disse Passos Coelho.

Reconheceu que a “Europa é um bocadinho mais lenta do que precisamos” para Portugal sair da situação actual, mas também lembrou que a “Europa mostra que está na retaguarda”. Por isso, a “Europa ajudará desde que cumpramos a nossa parte”.

“Não há razão para excesso de pessimismo”, repetiu o primeiro-ministro, reconhecendo que os “problemas são graves”. Mas “só um tolo se colocaria a rir e a falar da sua doença, afirmando que se encontra bem, quando na realidade está mal”, afirmou, acrescentando que, por outro lado, também só “um tolo diz que vai ficar pior, quando está a fazer tudo para recuperar”.

Usando o exemplo da Sicasal – recuperou um ano após um incêndio ter destruído 30% das instalações – Passos Coelho afirmou que temos que “lutar de forma muito intensa contra as adversidades”, em conjunto com os trabalhadores, pessoas, sindicatos, aqueles que não têm trabalho e empresários.

Passos Coelho finalizou o discurso afirmando que “sabemos que depende de nós em grande medida ultrapassar a situação. E vamos fazê-lo”.

Muitas pessoas “ não quiseram gastar por precaução com o futuro”

Antes de finalizar o seu discurso, quando comentou o excesso de pessimismo que existe em Portugal, Passos Coelho justificou esta tendência usando o argumento referido pela chanceler alemã na segunda-feira quando esteve em Portugal.

Angela Merkel, de acordo com as citações de Passos Coelho, afirmou que cerca de 50% de todo o clima económico depende das expectativas. E foi isso que aconteceu em Portugal, onde a economia caiu mais do que o previsto, pois as estimativas oficiais não tinham valorizado a gestão de expectativas de forma correcta.

O INE anunciou hoje que o PIB português recuou 3,4% face ao período homólogo, acentuado a recessão que dura há sete trimestres.

Segundo Passos Coelho, a poupança dos portugueses “aumentou mais do que estava previsto”, pois “as pessoas captaram a mensagem do governo e acautelaram-se. Muita gente não comprou o que tinha no passado, porque não tinha rendimentos para isso”, mas também muitas pessoas “tinham [rendimento disponível] e não quiseram gastar, por precaução com o futuro”.

“Quando o futuro é mais incerto, retraímo-nos”, reconheceu Passos Coelho, alertando também que “se formos muito pessimistas há decisões que não tomamos, mesmo que desse para isso”.

“É uma questão de tempo” até surgirem os resultados

Foram várias as vezes em que Passos Coelho utilizou a recuperação da Sicasal, para fazer a analogia com a situação do País.

A fábrica de Vila Franca do Rosário soube “aproveitar o infortúnio, esta desgraça”, para refazer a empresa “com outra ambição” e avaliando o que pode ser feito de forma diferente. “É isso que queremos fazer no Estado e nas empresas”, disse o primeiro-ministro.

Passos Coelho afirmou que “muitas vezes há impaciência no debate” sobre quando serão descortinados os resultados do processo de ajustamento que Portugal está a fazer. “Quer-se fazer tudo ao mesmo tempo. Mas não é possível”.

“Sabemos que no longo prazo o trabalho dará os seus frutos. É uma questão de tempo”, disse Passos Coelho, afirmando que em Portugal “também havemos de ter sucesso. Os portugueses não são piores que outros povos. Comparamos muito bem. Somos bons” quando comparados com os outros países. “Também somos produtivos”, pelo que “no médio e longo prazo, se fizermos as coisas certas, o resultado será positivo”.

O problema, segundo o primeiro-ministro, está no período de “transição” até os resultados chegarem. “O problema é saber como vivemos até lá”, disse o primeiro-ministro, para logo de seguida responder: “temos que ser muito flexíveis para saber como resistir”.

De acordo com Passos Coelho, são três os pontos fundamentais para que o programa de Portugal tenha sucesso.

O primeiro passa por “mostrar que percebemos o que aconteceu” para Portugal ter entrado em crise “para não cair nos mesmos erros”.

O segundo está relacionado com o clima social e político, que não pode ser fracturante, mas antes “o mais consensual possível”, sem ser preciso “unanimismos”. “É importante que possamos mostrar que sabemos estar unidos no essencial”, sendo que este “factor distintivo pode ser muito importante para o nosso sucesso”.

No terceiro ponto, quer está dependente do exterior, Passos Coelho citou a união bancária na União Europeia - que visa melhorar a concessão de crédito à economia - e o Orçamento comunitário. “É preciso normalizar as condições de acesso ao crédito” e “precisamos de planear com algum tempo os fundos estruturais”, justificou.

Concluiu depois que Portugal pode ser um “País mais competitivo, mais justo e oferecer mais oportunidades para todos”, sendo que “depende de nós” alcançar esse objectivo.

Famílias e empresas estão a ajustar mais rapidamente que o Estado

No início do seu discurso na fábrica da Sicasal, Passos Coelho admitiu que as famílias e as empresas estão a ser mais rápidas que o Estado no processo de ajustamento e que houve falhas nas previsões do Governo sobre o impacto das medidas adoptadas.

“As pessoas têm vindo a fazer sacrifícios e a acompanhar a estratégia de recuperação do País”, mesmo sabendo que este não é um processo rápido, disse Passos Coelho, acrescentando que estamos a cumprir um processo de ajustamento “muito difícil, não para mostrar que somos obedientes”, mas porque essa é a maneira de recuperar a “nossa vida e restaurar o País”.

O “amor que hoje temos” por Portugal “não é platónico, é muito concreto”, disse Passos Coelho, admitindo que “quando estamos num período como o que vivemos, nem tudo se passa como planeamos”, pois um projecto, “quando nasce não é estático”.

Passos Coelho acrescentou que está a ser reposto um maior equilíbrio na economia portuguesa, mas “temos que olhar com mais ambição para o futuro” e “introduzir outros projectos”. O “Estado precisa de funcionar de forma diferente. Precisamos de ser mais eficientes, ter mais poupanças”, pois “quando a despesa é muito elevada, também são os impostos”.

É por isso necessário “baixar o nível de despesa para as nossas possibilidades”, sendo que Passos Coelho reconheceu que este processo nas “empresas e famílias tem sido mais rápido que no Estado” e é por isso que a dívida de Portugal ao exterior “está a ficar controlada”.

Lembrou que 90% do que importamos já é coberto pelas exportações, e que se há dois anos o défice da balança corrente era de 10% do PIB, “até ao próximo ano devemos ter recuperado a quase totalidade desse défice. É extraordinário, pois deixamos de precisar de crédito para cobrir as importações que precisamos”.

(Notícia actualizada pela segunda vez às 12h40)
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