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Passos diz que não era possível ajustar sem cortar nos salários e pensões

Primeiro-ministro quis combater mitos que envolvem período de resgate português. Um deles é o de que seria possível não cortar salários e pensões. Um aspecto que contrariou depois de Cavaco Silva ter defendido que cortes sobre Função Pública e sistema de pensões foram "excessivos". Para lutar contra outro mito, atacou o PEC IV de Sócrates.

Miguel Baltazar/Negócios
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 23 de Abril de 2014 às 10:10
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Ao aproximar-se do final do processo de ajustamento económico e financeiro, Passos Coelho quis lutar contra os mitos em torno desse período. Um desses mitos, segundo o primeiro-ministro, era o de conseguir o ajustamento sem cortar salários da Função Pública e nas pensões.

 

“Há um mito de que era possível seguir este caminho sem tocar na despesa social, sem mexer nos salários e sem mexer nas pensões”, defendeu o líder do Executivo na conferência realizada pelo “Diário Económico”, inserida nas comemorações dos 25 anos do jornal, que aconteceu esta quarta-feira, 23 de Abril, em Lisboa.

 

Passos Coelho defendeu que “não é verdade” que se poderia inverter a situação económica e financeira de Portugal sem impor “políticas que afectassem os pensionistas e os funcionários públicos”. Uma afirmação feita depois de o Presidente da República, Cavaco Silva, ter reiterado ontem que os sacrifícios sobre estas duas camadas da população portuguesa foram “talvez excessivos”.

 

No combate a este “mito” que diz existir, o primeiro-ministro defendeu ainda que o Governo conseguiu cortar na despesa corrente “de forma decisiva”, acrescentando que os pensionistas não foram os únicos a sofrer o impacto. Ainda assim, admite que as medidas foram "onerosas".

 

Um outro mito que Passos quis combater é o de que era possível ajustar a economia tendo como pano de fundo o crescimento económico e não a recessão. Sobre ele, Passos diz que é, até, “muito infantil”. “A política que foi seguida foi a política que o realismo impunha e não a que a vontade poderia dispor”.

 

Passos Coelho recusa ideia de sacrifícios "excessivos"

 

Sobre o que irá acontecer no futuro aos pensionistas, Passos Coelho não se alongou. Garantiu, apenas, que “não há perspectiva de que os cortes se vão aprofundar”. As medidas de carácter definitivo que vão substituir as de carácter temporário (como a Contribuição Extraordinária de Solidariedade), e que estão a ser negociadas no âmbito da 12ª avaliação do programa de ajustamento que se está a realizar, deverão ser anunciadas até ao final do mês, adiantou. Só depois falará melhor delas.

 

Ainda assim, Passos Coelho garante que o que vai ser definido é “qual o ritmo” e em que medida se vai deixar de “onerar” estas duas camadas da população. O primeiro-ministro deixou a ideia de que se terá de “garantir o mínimo de sustentabilidade das pensões, sem com isso criar um risco com o qual, dificilmente, se poderia viver”.

 

Questionado sobre a indicação de Cavaco sobre os sacrifícios “talvez excessivos”, o primeiro-ministro disse não concordar com a afirmação, mas também não admitiu que eram cortes “justos”. “Foram aqueles que nos pareceram que eram adequados face às necessidades”.

 

Passos ataca PEC IV de Sócrates

 

Além disso, o primeiro-ministro também quis deixar bem assente que se o PEC IV (Programa de Estabilidade e Crescimento) apresentado por José Sócrates no início de 2011 tivesse sido aprovado pela oposição o resgate não teria sido evitado.

 

“Ainda prevalece o mito de que se tivéssemos adoptado as medidas do PEC IV nada teria acontecido: é falso. O PEC IV não acrescentou nada que invertesse a situação”, defendeu na sua intervenção na conferência do Económico. José Sócrates, o seu antecessor na liderança do Governo português, tem defendido que foi o chumbo pela oposição deste programa que acabou por empurrar o país para a necessidade de pedir um resgate internacional, em Abril de 2011.

 

(Notícia actualizada às 10h31m)

 

 

 

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