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Passos: "Não estamos perante o dilema de tomar medidas que ponham em causa o crescimento"

O primeiro-ministro esforçou-se por evidenciar que Portugal está já a crescer, tendo deixado a austeridade para trás. E, portanto, o dilema neste momento não é aplicar novas medidas que ponham em causa o crescimento. Mas recusou dizer se se arrepende de ter aplicado austeridade.

Miguel Baltazar
Bruno Simões brunosimoes@negocios.pt 10 de Abril de 2015 às 14:20
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Passos Coelho pareceu afastar, ao final desta manhã, a necessidade de aplicar novas medidas de austeridade. No final de um encontro com Manuel Valls, o primeiro-ministro francês que está de visita a Portugal, Pedro Passos Coelho afirmou que, em Portugal, "não estamos perante o dilema de tomar medidas que ponham em causa o crescimento". "Tomámos muitas medidas para chegar hoje ao ponto em que estamos e não vejo nenhuma utilidade em estarmos a regurgitar o que tivemos de fazer para aqui chegar, a não ser para relembrar o que nos custou", sublinhou.

 

O primeiro-ministro português respondia a uma questão de um jornalista, que o confrontava com o facto de Manuel Valls dizer que "nada deve ser feito que ponha em causa o crescimento". "Portugal está, desde o primeiro de 2013, a inverter a tendência recessiva e tem já o ano de 2014 em terreno positivo", destacou Passos Coelho. "A previsão para este ano é que o crescimento possa rondar 1,5%, 1,6%", sendo "previsível que no próximo ano [2016] esse crescimento possa chegar, pelo menos, aos 2%".

 

Questionado directamente sobre se se arrependia de ter aplicado medidas de austeridade, Passos Coelho não respondeu.

 

Apesar disso, Passos lembrou que "não estamos a salvo que outros problemas venham a acontecer no futuro". "Para o evitar, temos de construir uma verdadeira união económica e monetária, que tenha nos países que a compõem políticas que sejam respeitadoras das regras", como o "Pacto Orçamental, o Pacto de Estabilidade e Crescimento", que "são regras importantes que tem de ser observação por todos".

 

Uma das principais questões abordadas por Passos Coelho e pelo seu homólogo francês foi o investimento. "Quer para França quer Portugal, o momento que se vive é decisivo para a competitividade das nossas economias e para conseguir atrair um volume mais significativo de investimento", assinalou Passos Coelho. "Um futuro mais sustentável só é atingível se conseguirmos atrair investimento de forma significativa".

 

"É por isso que o plano Juncker é muito importante, é por isso que os nossos esforços de modernização e reforma estrutural são muito importantes para mostrar aos investidores que não estamos apenas preocupados com o curto prazo mas com o futuro", salientou o primeiro-ministro português. A propósito da relação económica com França, Passos lembrou que "temos recebido uma atenção cada vez mais importante do ponto de vista do investimento francês mas também do turismo emissor francês", e uma "intensificação muito grande da presença de franceses no nosso país e isso deixa boas perspectivas".

 

PT pode ser oportunidade, assume Valls

 

Manuel Valls também enfatizou a importância da relação económica entre França e Portugal. "As trocas têm aumentado incessantemente", e existem neste momento "750 empresas francesas em Portugal". "É possível aumentar o volume das nossas trocas comerciais" e as empresas francesas têm "oportunidades a explorar em Portugal, como a aquisição da PT certamente virá a confirmar quando a Autoridade da Concorrência se tiver pronunciado".

 

Por outro lado, "também há oportunidades para as empresas portuguesas em França", sustentou Valls, lembrando o "investimento que a empresa Renova vai realizar em França". "Esperamos que o investimento vá aumentar, o investimento estrangeiro em França aumenta a uma taxa de 8%".

 

"Insistimos na urgência de uma política europeia em prol do investimento e do emprego, utilizando todos os instrumentos que existem para fomentar os investimentos privado e público, partindo do plano Juncker", Manuel Valls. "A Europa não se pode reduzir apenas a questão da disciplina orçamental, embora seja uma questão fundamental".

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