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Passos repete que salários já são mais baixos no privado e que troika não recomendou corte

O primeiro-ministro considera que a troika não recomendou corte de salários no privado. O PS já pediu esclarecimentos, afirmando que é isso mesmo que consta no comunicado da troika. Veja aqui o vídeo com a entrevista de Passos Coelho à RTP.

Vídeo RTP | Negócios negocios@negocios.pt 18 de Novembro de 2011 às 09:50
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Pedro Passos Coelho apoiou-se ontem à noite numa leitura “institucional” das recomendações da troika para cortes salariais no sector privado, interpretando-as como “opiniões”. Em entrevista à RTP, o primeiro-ministro reafirmou que os “custos do trabalho” são já “mais baixos” na “economia privada”, que “tem vindo a ajustar mais cedo do que a economia pública”. E negou que o conteúdo da nota emitida pela missão tripartida após o reexame ao programa de resgate implique reduções de vencimentos. O PS conclui que o governante está equivocado. Questionado no Telejornal sobre a eventual inevitabilidade da aplicação de cortes salariais a trabalhadores do sector privado, o primeiro-ministro atalhou: “O que consta do comunicado que foi emitido pela troika no final do reexame é público e não faz qualquer menção dessa natureza”.

“Eu devo, no essencial, atender àquilo que institucionalmente constitui o comunicado que a troika fez no final das reuniões e do reexame em Portugal. O que houve, tanto quanto sei, embora tenha sido à distância, esse debate, foram algumas opiniões expressas por elementos da troika que apontaram para a necessidade de, no sector privado em Portugal, o ajustamento que o sector público está a fazer e nomeadamente ao nível das remunerações pudesse ser acompanhado na área privada”, sustentou Pedro Passos Coelho, numa entrevista concedida à RTP a partir de Angola.

Na quarta-feira, ao concluir a segunda avaliação ao programa de resgate português, a missão do Fundo Monetário Internacional, do Banco Central Europeu e da Comissão Europeia fazia distribuir um comunicado com a defesa, entre outras mensagens, de um alargamento das reduções de vencimentos operadas na Função Pública ao domínio privado: “A fim de melhorar a competitividade dos custos da mão-de-obra, os salários do sector privado deverão seguir o exemplo do sector público e aplicar reduções sustentadas”.

A fim de melhorar a competitividade dos custos da mão-de-obra, os salários do sector privado deverão seguir o exemplo do sector público e aplicar reduções sustentadas.
Comunicado da troika
“Eu direi que, se nós queremos ser competitivos no curto e médio prazo, que não no longo prazo, porque no longo prazo nós seremos mais competitivos se tivermos mais inovação, se conseguirmos trazer melhor know-how e melhor investimento para Portugal, mas no curto e médio prazo nós seremos mais competitivos se os custos de contexto forem mais baixos. E aí têm importância as reformas estruturais que estão a ser empreendidas pelo Governo, mas, por outro lado, se os custos relacionados com o trabalho tiverem muita contenção”, arguiu o primeiro-ministro.

“Creio que é neste contexto que se deve enquadrar as afirmações que membros da troika terão feito a propósito dos salários na área privada”, avaliou.

“Nós hoje temos, na área privada, custos unitários do trabalho mais baixos do que aqueles que existiam antes de esta crise mais forte ter eclodido. Por outro lado, há muitas empresas que infelizmente têm fechado e, com o desemprego, ajudado a criar condições para que mais pessoas com grandes habilitações e com grande diferenciação estejam hoje disponíveis para novos contratos a um preço mais baixo, a salários mais baixos”, disse Passos Coelho à RTP.

Também na quinta-feira o austríaco Albert Jaegar, representante permanente do Fundo Monetário Internacional, tratou de reproduzir, numa conferência em Lisboa, o comunicado da troika, reafirmando a mensagem de que “os salários do sector privado deverão seguir o exemplo do sector público e aplicar reduções sustentadas”.

Para o PS, a posição do primeiro-ministro revela um equívoco. Numa primeira reacção às declarações de Pedro Passos Coelho à estação pública, Miguel Laranjeiro, do Secretariado Nacional socialista, veio exigir esclarecimentos sobre a forma como o Governo encara a proposta da troika.

“Importa esclarecer cabalmente a posição do Governo, a posição do primeiro-ministro, porque de facto, em entrevista à RTP, o senhor primeiro-ministro disse que não havia nenhuma referência no comunicado da troika. Ora, existe uma referência expressa. Agora importa perguntar ao Governo e ao primeiro-ministro qual é a posição relativamente à diminuição dos salários no sector privado”, insistiu.




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