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Paulo Portas vai deixar a liderança do CDS

O ex-vice-primeiro-ministro vai voltar a abandonar a liderança do CDS, a exemplo do já sucedido em 2005. Paulo Portas comunicou à comissão política do partido que não vai recandidatar-se no próximo congresso.

Pedro Elias/Negócios
David Santiago dsantiago@negocios.pt 28 de Dezembro de 2015 às 22:24
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O CDS vai ter de encontrar um novo líder já em 2016, depois de o actual presidente, Paulo Portas, ter comunicado ao partido que não irá candidatar-se à liderança no próximo congresso centrista. Assim, o CDS voltará a ficar órfão do presidente que durante mais anos esteve à frente dos destinos do partido, Paulo Portas.

Paulo Portas informou esta segunda-feira, 28 de Dezembro, a Comissão Política nacional do CDS de que não vai tentar renovar o mandato à frente do partido, segundo confirmou a agência Lusa junto de fontes centristas. Ora, esta decisão que o Expresso afiança ser definitiva, foi hoje comunicada ao partido durante uma reunião da Comissão Política cujo propósito passa pela preparação do próximo congresso do CDS.

O Expresso recorda ter noticiado há já duas semanas que Paulo Portas havia dito num Conselho Nacional do partido que o próximo congresso assumiria especial importância "para o futuro do partido", todavia não tendo na altura concretizada a agora anunciada intenção de deixar a presidência do CDS.

Paulo Portas é líder do CDS desde 1998, ano em que sucedeu a Manuel Monteiro, de quem era estratega político e braço-direito. Nestes cerca de 18 anos, apenas entre 2005 e 2006 Portas não foi a cara do partido que, nessa altura, teve como presidente José Ribeiro e Castro, que assumiu a liderança após derrotar em congresso Telmo Correia, o homem indicado como sucessor por Paulo Portas.  

De acordo com a SIC, Portas disse aos seus correlegionários que não lhe podem pedir mais ao cabo de 16 anos à frente do partido e que "chegou a hora da nova geração". Tal como em 2005, Portas abandona a presidência do CDS num momento crítico para o partido. Há 10 anos o CDS registou um mau resultado eleitoral nas eleições que deram uma maioria absoluta ao PS então liderado por José Sócrates. Agora, apesar de não ter ido a eleições, Portas sabe que será difícil derrubar no curto prazo a "geringonça" socialista, pelo que o centro-direita dificilmente poderá governar no médio prazo sem garantir uma maioria absoluta.

Ficou sem efeito o repto lançado por Telmo Correia no jantar de Natal da concelhia lisboeta do CDS: "Meu caro Paulo, nunca, como hoje, o partido precisou tanto de ti. Nunca, como hoje, a tua sabedoria, a tua capacidade e a tua argúcia política serão tão importantes num ciclo, que ele próprio tão estranho, tão exótico e tão fora do comum. É evidente que esse é o desafio e o repto que ficam. O repto que fica e o voto que ficam é que, como família política, estejamos unidos no ano de 2016".


Abre-se agora caminho à luta pela liderança do CDS. Há muito que o nome do eurodeputado Nuno Melo é apontado como forte possibilidade à sucessão de Portas, hipótese que o ainda presidente deverá também ver com bons olhos. Mas a nova geração inclui ainda nomes de ex-ministros, como é o caso de Assunção Cristas e Mota Soares. No entanto, depois de em 2005 Ribeiro e Castro ter vencido Telmo Correia, nome sugerido pela então direcção centrista cessante, após um discurso sugestivo de Lobo Xavier que viria a revelar-se determinante, desta feita a cúpula centrista deverá proceder de forma mais cautelosa. 

(Notícia actualizada às 22:55)
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