Política PCP acusa Governo de fazer do défice "ditadura" e critica acordos com PSD

PCP acusa Governo de fazer do défice "ditadura" e critica acordos com PSD

O secretário-geral do PCP referiu que os valores previstos para o pagamento de juros da dívida nos próximos quatro anos ultrapassam os 30 mil milhões de euros.
PCP acusa Governo de fazer do défice "ditadura" e critica acordos com PSD
Sérgio Lemos/Correio da Manhã
Lusa 29 de abril de 2018 às 17:44

O secretário-geral do PCP acusou hoje o Governo de fazer do défice "uma questão de ditadura", contestando a meta inscrita no Programa de Estabilidade, e criticou os acordos assinados "com pompa espalhafatosa" entre executivo e PSD.

 

Jerónimo de Sousa falava durante um almoço comemorativo do 44.º aniversário do 25 de Abril, no Pavilhão José Gouveia, na freguesia de São João da Talha, em Loures.

 

Sobre o Programa de Estabilidade, o secretário-geral do PCP referiu que os valores previstos para o pagamento de juros da dívida nos próximos quatro anos ultrapassam os 30 mil milhões de euros: "Isto significaria, camaradas, três orçamentos anuais para todo o Serviço Nacional de Saúde (SNS). Isto significaria, noutras áreas, resolver problemas estruturais com que o nosso país é confrontado".

 

Em seguida, lamentou: "Mas não, decidiram que esta questão do défice é uma questão de ditadura, em que a União Europeia quis reduzir para 1,1%, depois o Governo, mais papista que o papa, resolveu 0,7%".

 

"Por que razão tem de ser 0,7%, ou até mesmo 1,1%, se precisamos como de pão para a boca de investimento público para resolver os nossos problemas, os problemas do país, na saúde, da educação, nas infraestruturas, no plano do desenvolvimento económico? Porquê?", questionou Jerónimo de Sousa, acrescentando: "Pois, esta é uma forma de dizer que continuam bem comportados perante a União Europeia".

 

Quanto aos acordos que o primeiro-ministro, António Costa, assinou com o presidente do PSD, Rui Rio, sobre descentralização e fundos comunitários, o secretário-geral do PCP disse que têm "inegável significado político, significado expresso não só na relevância política das matérias tratadas, mas pela ostensiva visibilidade e pompa espalhafatosa com que o ato se realizou".

 

"Não vai na direcção certa, na direcção de Abril, o PS e o seu Governo quando procura a solução para os problemas dos trabalhadores, do povo e do país com o PSD e o CDS-PP, como não segue um bom caminho que vá ao encontro de Abril quando alarga essa convergência a novos domínios", considerou.

 

Jerónimo de Sousa criticou em particular a proposta de descentralização, defendendo que "descentralizar é bem mais do que PSD e PS preparam" e "envolve a regionalização", assim como "exige a reposição de freguesias" e "uma proposta de Finanças Locais que não seja uma mão cheia de poucas garantias".




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