Economia PCP defende renegociação da divida e diversificação de fontes de financiamento

PCP defende renegociação da divida e diversificação de fontes de financiamento

O secretário-geral do PCP defende a renegociação da dívida e uma diversificação das fontes de financiamento do país e prometeu que o seu grupo parlamentar voltará a apresentar, nos próximos dias, no parlamento, uma proposta nesse sentido.
PCP defende renegociação da divida e diversificação de fontes de financiamento
Lusa 25 de março de 2014 às 21:46

"Reafirmamos que, perante uma dívida insustentável e em parte ilegítima, a renegociação da mesma - dos seus prazos, juros e montantes - assume-se como uma urgente e patriótica atitude para assegurar o direito de Portugal a um desenvolvimento soberano e independente", disse Jerónimo de Sousa esta terça-feira, num colóquio sobre a renegociação da dívida pública.

 

O líder comunista considerou que é necessário Portugal avançar de imediato para um processo de renegociação que passe também pelo apuramento formal da origem da dívida, do tipo de credores atuais e a perspectiva da sua evolução, que admita a possibilidade de uma moratória e que assegure uma efectiva diversificação das fontes de financiamento do país.

 

Para Jerónimo de Sousa, a diversificação das fontes de financiamento deve começar a nível interno, estimulando a aquisição de títulos e certificados de aforro.

 

"Esta proposta que o PCP reapresentará nos próximos dias na Assembleia da República e que não deixará de confrontar, uma vez mais todas as outras forças políticas, é também inseparável de outros eixos da política patriótica e de esquerda que propomos ao país, a começar pelo aumento da produção nacional, substituindo importações, desenvolvendo o investimento público produtivo", declarou.

 

Neste âmbito, o secretário-geral do PCP defendeu que Portugal, em vez de produzir cada vez menos e dever cada vez mais, tem forçosamente de produzir cada vez mais, para poder dever cada vez menos".

 

Considerou que a actual situação do país é insustentável e explicou que o PCP pretende a renegociação da dívida "também para devolver aos trabalhadores e ao povo os rendimentos que lhe foram roubados" desde a aplicação do Memorando da 'troika' e para libertar recursos para desenvolver a Saúde, a Educação e o investimento público.

 

O líder comunista lembrou ainda que o PCP foi o primeiro a propor a renegociação da dívida pública, em Abril de 2011 e que nessa altura foi criticado pelos partidos da maioria e pelo PS. "Passados três anos, a vida está a dar razão ao PCP", disse, referindo que neste período de tempo o montante da dívida aumentou de 160 mil milhões de euros para 214 mil milhões de euros e que os juros anuais aumentaram de cinco para sete mil milhões de euros.

 

Lembrou a situação de empobrecimento do país, considerando que Portugal perdeu muito por não se ter tomado a iniciativa de renegociar a dívida e que ainda pode perder muito mais se continuar com a mesma posição. "Esse é o caminho do colapso económico", afirmou o líder comunista.

 

No colóquio promovido pelo grupo parlamentar do PCP participaram também os deputados comunistas Paulo Sá, Bruno Dias e Miguel Tiago, que criticaram as políticas de austeridade que têm sido aplicadas pelo Governo, no âmbito do Memorando da 'troika', que têm levado ao empobrecimento de grande parte da população.

 

O ex-secretário-geral do PCP Carlos Carvalhas foi um dos oradores convidados e defendeu que o país não tem outra alternativa que não seja a renegociação da dívida.

 

Idêntica posição foi assumida pelo antigo líder parlamentar do PCP Octávio Teixeira, que salientou que a situação portuguesa é diferente da irlandesa, porque "Portugal não consegue pagar" a dívida.




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